A importância da palavra bem escrita

Estou escrevendo este texto depois de ver uma publicação no LinkedIn (serviço em que me pego todos os dias considerando fortemente apagar meu perfil) onde acabo de ver (pela enésima vez) alguém escrever uma frase usando o verbo haver no plural.

No livro Remote, o Jason Fried dedica um capítulo inteiro para a questão da escrita. Para ele, esta é uma questão crucial para quem vai trabalhar remotamente por causa da comunicação com seus pares. Mas esta importância não prevalece apenas para quem vai entrar na onda do teletrabalho. Escrever bem significa saber se expressar bem e defender bem uma ideia. Significa saber organizar ideias e apresenta-las de modo coerente.

Ele complementa que uma boa maneira de selecionar um bom programador para seu time é optar por aquele que escreve melhor. Texto mesmo. Porque se ele escreve um texto bem escrito, é bem provável que programação não será um problema para ele.

Particularmente, este posicionamento me impressionou um bocado quando li o livro. Isso porque o Jason Fried é um desenvolvedor. E desenvolvedores não são famosos por sua capacidade de escrita. Ainda mais por recomendarem (como no caso do Jason Fried o faz neste livro) que um dos mais (se não o mais importante) relevantes critérios de seleção deve ser a capacidade de um desenvolvedor de escrever bem um texto. O autor dá tanta importância para isso que insere em seu livro várias dicas de leituras e práticas que podem ser adotadas para que melhoremos nossas capacidades de escrita. Enfim, vale a leitura. E, claro, vale também prestar atenção e dar muito peso para a escrita.

Mas voltemos ao caso do LinkedIn. Não ao fato de eu querer deletar minha conta lá todos os dias (isso tratarei no momento apropriado), mas ao fato do erro do plural do verbo haver.

A questão não errar. Todo mundo erra. Eu erro, você erra. Todo mundo erra. A gente erra o tempo todo.

Meu ponto aqui ressaltar o cuidado que precisamos ter com os erros que cometemos e onde cometemos. O erro do plural pode parecer bobo para muita gente. Mas ele é bem diferente daqueles deslizes de digitação que cometemos quando trocamos a letra O pela letra I no teclado. E ainda tem a questão do local onde ocorreu o erro: uma plataforma voltada para profissionais. Errar o plural do verbo haver mostra algo mais grave; como dito, estrutural. Volte a entender que se trata de uma plataforma voltada para a vida profissional das pessoas. Então ver alguém em posição de liderança cometendo um erro desses não é a coisa mais legal de todas.

Enfim. O que quero dizer é que devemos tomar cuidado com nosso texto. Em qualquer circunstância, nosso texto falará muito sobre nós. E por mais que a pós-modernidade e toda sua liquidez indiquem que estes conteúdos não ficarão aqui por muito tempo; o estrago causado pode ser grande, mesmo que online por pouco tempo.

Reativando este espaço com duas dicas de leitura

Então.

Ontem vim para a Colômbia para uma série de eventos para os quais fui convidado a participar aqui na Universidad Cooperativa de Colombia – Cali. É minha segunda vez no país. Em 2014 estive em Medellin para evento semelhante realizado pela Universidad de Medellin. Será uma semana cheia e, mesmo assim, resolvi reativar este espaço de publicação. Espero que gostem.

Mas, por qual motivo escolhi reativar este blog justamente agora, com tanta coisa para fazer em um país diferente no meio de uma semana tão atribulada?Bem, porque sim. 🙂

Na verdade já fazia parte dos meus planos há algum tempo reativar este espaço. Mas durante o trajeto BH-Cidade do Panamá, eu reli o livro “The New Rules of Marketing and PR”; o que foi muito bom para reforçar algumas coisas que tinha na cabeça. Uma delas é justamente a importância destes mecanismos de publicação como este humilde blog.

Enfim. Na releitura, o autor menciona o Hubspot e, coincidentemente, também durante o voo, estava ouvindo uma edição do Marketing Over Coffee em que mencionam o Hubspot com uma dica de livro: Disrupted.

Aí juntei a fome (vontade de reativar este espaço) com a vontade de comer (indicar leituras) e estamos aqui com o blog de volta!

Aproveite então para anotar estas duas dicas de leitura:

  1. The New Rules of Marketing and PR (quem assiste minhas aulas de cibercultura e marketing digital conhece muito deste conteúdo, hehe)
  2. Disrupted (que comecei a ler hoje mesmo) 😀

Enfim. Depois me digam o que acham destes livros.

Sobre o golpe de 2016

Um pouco de contexto

Replico aqui (porque, afinal, o site é meu), minha participação em uma discussão em uma plataforma social que gostaria de deixar registrada publicamente para a posteridade. Não que isso vá ser apagado do Facebook, mas a dinâmica da plataforma faz com que lá este conteúdo se perca, embora fique registrado pra sempre nos servidores deles. Mas aqui eu tenho mais controle e, bem, aqui você está lendo este texto agora e pra mim é isso que importa.

A discussão

Então, começou com um desabafo de minha angústia ao ver tremenda injustiça acontecendo em meu país. Me deixa genuinamente chateado ver que isso está acontecendo e que tem gente achando normal.

Eu disse:

Se a essa altura do campeonato você ainda não se tocou que rolou um golpe e que está em curso um desmonte de nossa democracia, das duas uma: ou você é muito ignorante ou covarde.

Questionaram a existência de um golpe. E argumentaram a responsabilidade da presidenta e de seu partido no golpe (tipo, culpando a vítima? Eu realmente não entendi esta parte do argumento. As pessoas dizem que a culpa de o Temer estar ocupando ilegitimamente a presidência é do PT e de quem votou no PT para a presidência).

Acontece que são duas coisas diferentes. Uma foi a sequência de erros do PT de ter se associado ao PMDB esperando que isso fosse garantir maioria no congresso e, por consequência, governabilidade. Este foi um erro que custou muito caro. Fez com que muita gente demonstrasse sua insatisfação nas urnas em 2014 (pode me incluir neste grupo; o de pessoas que não votaram no PT no primeiro turno). Enfim. Esta associação com o PMDB não foi benéfica, pois trata-se de um partido sem qualquer orientação moral ou mesmo ideológica.

Mas isso não dá legitimidade ao Temer. Ele compunha a chapa. Quem votou na Dilma, não votou nela por causa do Temer. Arrisco dizer que muitos, como eu, votaram nela no segundo turno de 2014 APESAR do Temer.

Então, associar um com o outro como se fosse algo que passasse macio na garganta de quem votou não é o caminho.

Outra coisa (que valeria por si só, mesmo se o que expus acima fosse completamente equivocado) é a legitimidade do processo de impeachment.

Uma série de jogadas e associações – no mínimo estranhas – entre poder judiciário, legislativo e uma clara campanha difamatória que usou e abusou do poder financeiro e da mídia para desqualificar um governo legítimo (não estamos entrando no mérito aqui da qualidade da gestão Dilma, mas sim falando de sua legitimidade).

A questão do crime de responsabilidade é altamente contestável. Isso não está claro e muito menos plenamente definido. E temos que levar em consideração também os diferentes pesos e medidas usados para atacar Dilma e defender seus opositores.

O fato de se aprontar um verdadeiro escarcéu com relação a Dilma e Lula (quando na tentativa de nomeação do segundo para um ministério) e, logo na primeira ação do governo ilegítimo que assumiu o país vermos 7 ministros investigados na mesma operação que culminou no afastamento da Dilma sendo nomeados é um bom exemplo desses pesos e medidas diferenciados. Além de, claro, sinalizar a manipulação midiática visto que não se indignou com os 7 ministros como se indignou com a indicação de Lula. Seguindo aquela lógica, as pessoas que se indignaram com Lula deveriam estar sete vezes mais indignadas com a ação do Temer. Mas não, o que vemos é o silêncio.

O desmonte da democracia evidenciado (como se um presidente ilegítimo assumir não fosse o suficiente) na remoção do MinC e na sinalização de perda de direitos trabalhistas pra todos os lados (não percamos de vista o que está prestes a acontecer na saúde).

Sem mencionar o fato de que quem conduziu o processo (Eduardo Cunha) na câmara ser réu e ter contra si muito mais provas de atos ilícitos cometidos do que a Dilma.

E também sem mencionar que quem cuidou do processo no senado (Anastasia e Perrella, para citar os dois mineiros) não são pessoas limpas. O primeiro cometeu o mesmo crime de responsabilidade (do qual acusam Dilma) em Minas e o segundo teve um helicóptero de sua propriedade apreendido com 450 kg de pasta-base de cocaína – coisa que passou batida pela PF – evidenciam que houve, no mínimo, um viés que não deveria existir no processo.

Agora, se você não enxerga que isso é um golpe e que um governo sem qualquer representação de minorias, que extinguiu a secretaria que defendia as pessoas com deficiência não representa um retrocesso no Brasil, acho que nem adiantaria eu continuar. Vista sua camisa da CBF e seja feliz pagando um enorme pato.

Aí falaram que não era golpe e que as instituições brasileiras, em especial o judiciário, estão funcionando de maneira lisa e independente.

Respondi argumentando que concordamos em algumas coisas e discordamos em outras. Especialmente na percepção de que o judiciário está trabalhando. Se assim fosse, não seria nem sido iniciado o processo de impeachment porque o então presidente da câmara tem contra si provas irrefutáveis de atos ilícitos e não deveria estar no cargo naquele momento. O judiciário estaria funcionando se fosse aplicada a mesma lógica que impediu Lula de assumir um ministério quando SETE ministros de Temer que são investigados assumem ministérios.

Persistiram no argumento de que eu não deveria continuar questionando a legitimidade do processo; que o governo da Dilma era ruim e que tem que trocar tudo mesmo.

Do lado de cá, devo confessar, curto muito esta discussão. Acho que estes debates são muito importantes para que todos aprendamos mais.

E as argumentações contra o que falei são muito bacanas. Mas levam para uma interpretação de que “se eles (deputados e senadores) foram eleitos, tem carta branca para fazer o que for dentro da lei”. Há uma série de possíveis ciladas neste raciocínio.

A primeira é achar que o processo foi legítimo. Não foi. O STF não parece estar atento a isso (estou, claro sendo irônico aqui. O esquema dos pesos e medidas diferentes para a nomeação do Lula e dos 7 ministros sujos na lava-jato do governo Temer é uma clara indicação de que o STF tem algum interesse neste esquema).

A segunda delas é achar que era necessário destituir um governo legítimo sem que fosse apurado qualquer crime de fato. Isso é gravíssimo. O que ocorreu com um governo legítimo sem que qualquer coisa que o desabonasse criminalmente fosse provada é assustador. Por isso a comunidade internacional se move falando do ocorrido como golpe. Porque assim o foi.

A terceira cilada é achar que vai melhorar porque, afinal, tiramos (por meio de processos lícitos) um governo (alegadamente) corrupto. Isso está longe de ser verdade. Se a injustiça ocorrida não te toca de qualquer forma, tudo bem. Mas é ingenuidade demais pro meu gosto argumentar que o fim do MinC é algo positivo. Pode escolher o prisma que você quiser para analisar isso e não sairá um resultado bom. A mesma coisa acerca da secretaria nacional de promoção dos direitos das pessoas com deficiência, que foi extinta pelo ILEGÍTIMO governo do Temer.

A quarta é imaginar que é de responsabilidade de quem votou na Dilma o fato de o Temer estar aí. Ele praticamente jogou o projeto de governo de sua chapa no lixo quando assumiu. Na real, já havia se mostrado um crápula quando vazou aquela cartinha na virada de 2015-2016.

Pensar que isso é certo é a mesma coisa de se forçar ficar casada com uma pessoa que te traiu, porque assim havia sido acordado. Não é. Não é mesmo.

As respostas que recebi foram de que estava agindo meio que em clima conspiratório e que a mídia teria independência no país e isso indica que não há um golpe em curso.

Minha resposta sobre a questão da mídia foi a indicação de que uma ley de medios é do que precisamos. Basta acompanhar o ganhador do Pulitzer Glenn Greenwald no Intercept. Acho que vale  para ver como alguém de fora do país enxerga a presença da mídia no cenário político brasileiro.

E, da mesma maneira que expliquei anteriormente, são duas coisas diferentes:

1 – O governo da Dilma não era bom. Mas era legítimo. 2 – O processo não foi liso. De forma alguma. Só não vê quem não quer.

Ou seja. Estamos vivendo um golpe e muita gente tende a cerrar os olhos para isso. Afinal, às 17:00 tem natação. O que é uma pena.

Não entendeu a referência? Assista este vídeo.

Ah, e um adendo Pra finalizar: posar de isento é a pior coisa que você pode fazer neste momento. Se isentar implica em ignorar algo que está mudando os rumos de um país. Se isso não te afeta de alguma forma, putz… Nem sei mais o que dizer.

Mas os argumentos que defendem o ilegítimo governo de Temer despertam minha genuína curiosidade. Perguntei aos meus interlocutores o que os fazia pensar que não rolou um golpe. Questionei se eles não enxergam perdas que nos retrocedem no tempo nestas primeiras ações de um governo que não é legítimo.

Aí falaram que eu sou petista e que meus argumentos são atacar as pessoas contra o PT.

E, aí, a conversa acabou.

2015 será um ano excelente

Nesta noite de 21 de fevereiro acontecerá algo mais importante do que você imagina. Vai parecer que você apenas estará atrasando seu relógio para se adequar ao final do horário de verão. Mas é muito mais do que isso. Preste atenção e leia atentamente. Isso pode mudar a sua vida.

Me dei conta há alguns minutos, enquanto estava no banho (claro, boa parte de nossas boas ideias acontece ali). Pensava nas pessoas que comentaram que o ano começara na última quarta-feira, por causa do final do carnaval. “Mas é lógico que não!” foi a frase que retumbou em minha mente enquanto vivia esta epifania que compartilho com vocês.

Claro que o ano novo não começou na última quarta. Ele começa na segunda. Afinal, não faz sentido o ano começar na quarta. Tudo deve começar na segunda. Seu regime vai começar na segunda, a leitura daquele livro, a frequência à academia… Enfim. O ano começa na próxima segunda.

Você pode estar achando que sou louco ou que apenas estou repetindo os clichês do Facebook da quarta e quinta passadas. Nada disso. Estamos no dia 21 de fevereiro, mas seremos catapultados ao dia 30 de dezembro quando atrasarmos nossos relógios daqui a pouco. Vai ser complicado e o dia de amanhã (quando a segunda meia-noite acontecer será 31 de dezembro de 2014; mesmo que o calendário te fale outra coisa) será um dia estranho. Um mix de reveillon e 22 de fevereiro. Vai parecer que você tomou um porre homérico.

Inicialmente você responsabilizará os exageros do carnaval. Mas o buraco é mais embaixo. A sensação faz parte desta brincadeira pelo tempo e espaço pela qual você vai passar. Você não se lembrará. Mas será como se tivesse, já disse, tomado um porre verdadeiramente épico.

Daqueles porres que te deixam meio perdido. Será um domingo estranho e você passará o tempo todo perguntando as horas e sentindo um jetlag esquisito. Diferente do comum.

Não adiantará tentar. Você não conseguirá fazer nada de útil amanhã. Estará sob o efeito desta passagem mágica que começará a acontecer quando você atrasar o relógio logo mais. Vai dormir meio consternado e, quando acordar na segunda-feira, será 23 de fevereiro. Mas isso porque durante a noite de domingo para segunda, os 54 dias do ano terão passado. Será como se você tiver passado a noite dentro da TARDIS. Por isso você terá dormido tão bem e sua segunda-feira será excelente, mesmo com a aparente dificuldade para dormir que você vai enfrentar na noite de amanhã. Isso mesmo. Dormir de domingo pra segunda será difícil, mas apesar das dificuldades e de você acabar dormindo pouco “por causa do Oscar” (é isso que você vai pensar), você acordará bem na segunda.

Pode acreditar, pois é isso que vai acontecer. Mas além do fato de ser 30 de dezembro em pleno 21 de fevereiro, isso não tem nada a ver com o título do post.

Uau!

adam greenfield escreve uma review de usabilidade para uma espécie de band-aid líquido. o que me assustou não foi o fato de alguém escrever uma review de usabilidade para tal produto, mas sim descobrir que ele tem a composição (ou pelo menos parte dela) igual à da crazyglue, uma cola rápida ao estilo super-bonder.

isso me faz lembrar da história do tecno, que colou a unha do dedão com esta tal cola de secagem ultra rápida.

nem tudo que é bom tem que ser engraçadinho

just 11 years after it was born and about 6 years after it became popular, the web has lost its luster. many who once raved about surfing from address to address on the web now lump site-seeing with other online chores, like checking the in box.  

essa é uma citação de glenn davis, fundador do cool site of the day. na mesma matéria, o jornalista ainda diz: “there are still islands of innovation and creativity on the web. “ que bom, né? mas não é preciso procurar muito para encontrar isso.

a web talvez tenha perdido a graça para quem procurava apenas graça nela, devo acrescentar.

bem vindo ao . cc do caiocesar na . www

ok. está oficialmente aberto o espaço do caio na rede. depois de elucubrar com todosnoz por quase um ano, resolvi que seria hora de criar vergonha na cara e ter um espaço só meu (bem, antes eu já inha, mas blábláblá. . . ). anyway: o pau continua quebrando e eu voltei pra infernizar a vida de todos que liam as elucubrações fanfarrônicas de todosnoz.

em breve, todos que eram leitores cadastrados (ou seja que me mandaram e-mail pelo menos uma vez) das elucubrações receberão um spam-mail para divulgar este novo espaço. caso você também queira receber este mail, manda uma mensagem pra mim. eu juro que respondo.

ah, antes que alguém me encha a paciência. . . . mostro pra vocês as possíveis explicações para o .cc

1: .cc é a terminação de domínios do caio cesar
2: .cc é pra lembrar das aulas do prof. Souki e falar o seu apelido com a inicial do seu nome
3: .cc é a terminação de domínios registrados na ilha coconut

e, por último: existem ainda umas 350 fotos da minha digicam pra serem colocadas aqui. portanto, não precisa sair por aí comemorando que o .cc do caio não tem imagens.