A quest√£o da extrema informalidade dos profissionais de Publicidade

Então. (ultimamente tenho começado muitas frases e até e-mails assim…)

H√° um bom tempo tenho falado (√†s vezes sozinho, outras, acompanhado) que falta profissionalismo na publicidade. No digital, nem se fala. Mas, mesmo j√° abordando este tema h√° tempos, a quest√£o persiste. Em sala de aula isso me afeta e incomoda quando alunos (publicit√°rios em forma√ß√£o) deixam trabalhos para serem feitos na √ļltima hora, pedem adiamento de prazos e acabam entregando produtos que poderiam ter ficado muito mais bacanas se alguns cuidados b√°sicos tivessem sido tomados. Profissionalmente vemos jobs sendo perdidos, pagamento abaixo do mercado e v√°rios outros comportamentos que afetam negativamente a imagem dos publicit√°rios‚Ķ

Peraí, Caio. Você também já foi aluno! Pega leve…

Pois √©. E tamb√©m j√° procrastinei muito e entreguei muita coisa abaixo da cr√≠tica. Mas aprendi que se eu quisesse ser levado a s√©rio, precisava me levar mais a s√©rio. E √© esse excesso de pedidos para ‚Äúpegar leve‚ÄĚ que configura um dos sintomas que quero tratar. Pode parecer papo de velho (e √©), mas encarar-se com mais seriedade e tamb√©m as nossas atividades com mais seriedade pode fazer toda diferen√ßa. Eu acho que o ambiente da universidade √© um bom lugar para tentar corrigir este comportamento. Especialmente porque √©, justamente depois que se forma, que o profissional come√ßa a adotar algumas pr√°ticas que podem ser muito ruins para ele na sua atua√ß√£o profissional.

Vamos começar com a questão da disciplina para executar trabalhos

Ent√£o. Como eu falei acima, √© muito comum que os alunos entreguem trabalhos feitos na √ļltima hora. Costumo brincar que, se o trabalho √© para ser entregue √†s 23:59, o aluno come√ßa a fazer √†s 23:30. Isso depois de ter tentado um e-mail pedindo mudan√ßa de prazo √†s 23:15 e n√£o ter obtido resposta at√© as 23:29. Brincadeiras √† parte, a quest√£o √© que se entrega, normalmente, um texto ou uma pe√ßa que foi a primeira coisa que se conseguiu fazer. Ou seja: faz-se uma vers√£o e boas. Est√° entendido que est√° pronto para entregar. S√≥ que n√£o √© bem assim. Normalmente a primeira vers√£o de uma coisa cont√©m v√°rios erros e est√° longe de ser a melhor vers√£o daquilo. Escrever um texto ou conceber uma pe√ßa √© uma atividade que demanda o exerc√≠cio da cria√ß√£o. E este exerc√≠cio n√£o se d√° num √ļnico sprint. ¬†A atividade de fazer, dar um tempo, olhar outras coisas e retomar a atividade faz com que a gente tenha uma outra vis√£o sobre aquilo que fez. Al√©m disso, proporciona um distanciamento que nos ajuda a encontrar erros.

Pois bem, mas como fazer isso, Caio?

A primeira coisa √© n√£o deixar para fazer na √ļltima hora. Comece a fazer a tarefa (pode ser a cria√ß√£o de um layout, a reda√ß√£o de um texto, enfim‚Ķ qualquer coisa) com anteced√™ncia. Pense e planeje-se de forma a poder trabalhar por mais tempo naquela tarefa. Vai por mim. Se voc√™ come√ßar a fazer qualquer atividade no momento em que ela foi designada a voc√™, dificilmente voc√™ precisar√° ficar atravessando madrugadas fazendo algo perto do fim do prazo. E atravessar madrugadas √© algo que muitos profissionais da publicidade se vangloriam de ter que fazer. E eu tenho verdadeira raiva deste comportamento. Ningu√©m precisa trabalhar at√© de madrugada se planejar bem aquilo que tem para fazer. Me d√° especial raiva porque eu j√° deixei isso me atrapalhar muito. Se voc√™ planeja bem a execu√ß√£o de um trabalho, menos horas extras ser√£o necess√°rias e menos madrugadas ser√£o comprometidas. Al√©m disso, voc√™ ter√° tempo para rever o que fez e melhorar os produtos que est√° criando. E isso vai ser muito bom para a qualidade final daquilo que estiver fazendo.

Outra coisa: dê-se o valor

√Č muito comum esse lance de fazermos as coisas de √ļltima hora, porque n√£o nos deram prazos bacanas para executar a tarefa. Quando for este o caso, um sinal de que voc√™ est√° dando valor a si mesmo √© n√£o aceitar fazer naquele prazo t√£o pequeno. √Č comum os profissionais aceitarem fazer isso porque n√£o querem ‚Äúperder o cliente‚ÄĚ. S√≥ que, ao fazer algo com t√£o pouco prazo, a qualidade final vai ser p√©ssima e voc√™ vai perder o cliente da mesma forma, s√≥ que, desta vez, porque o trabalho ficou ruim. E a√≠, a culpa n√£o vai ser do prazo (afinal, voc√™ aceitou fazer), sacou? A culpa vai ser sua.

Aceitar fazer uma coisa num prazo desumano √© n√£o se dar o valor. √Č n√£o se respeitar. Outra coisa que entra no montante da falta de respeito √© aceitar fazer reuni√Ķes fora do expediente (porque esta √© a hora que o cliente pode te receber). Uma coisa que eu aprendi num dos melhores lugares que trabalhei foi: se o cliente n√£o quer te receber durante o expediente, √© porque ele n√£o acha que comunica√ß√£o √© uma coisa importante pra ele. Esse j√° √© um sinal de que ele n√£o vai te respeitar e nem respeitar o seu trabalho. Faz parte deste bolo do respeito a si mesmo e ao seu trabalho tamb√©m parar de participar de ‚Äúconcorr√™ncias‚ÄĚ.

Na comunica√ß√£o isso √© muito comum. E √© p√©ssimo para os profissionais. Empresas chamam tr√™s ou cinco profissionais ou ag√™ncias e pedem que executem algo para, s√≥ depois, escolher o que acharam melhor. Estas ‚Äúconcorr√™ncias‚ÄĚ (as aspas servem para indicar que s√£o falsas concorr√™ncias, sem crit√©rios claros e nem sombra do que lembraria um edital) s√£o muito ruins para o neg√≥cio da comunica√ß√£o, porque acabamos trabalhando de gra√ßa (outro sinal claro de que n√£o nos damos valor como profissionais √© quando nos deixamos ser enganados assim).

Não há problema nenhum em trabalhar de graça, desde que seja por vontade própria (por exemplo, se você quer fazer a comunicação de uma ONG sem cobrar nada). O que é péssimo é a agência ou profissional se deixar levar fazendo isso corriqueiramente.

Pense como seria isso em outras profiss√Ķes. Voc√™, por acaso, vai ao dentista e, na consulta, fala que tamb√©m vai a outros dois profissionais e, s√≥ vai pagar pelo servi√ßo de quem ‚Äúachar que √© o melhor profissional‚ÄĚ? Claro que n√£o, n√©? O dentista n√£o oferece consulta gratuita e muito menos o m√©dico. O arquiteto n√£o faz projeto ‚Äúno risco‚ÄĚ e o engenheiro tamb√©m n√£o. Mas porque os publicit√°rios fazem coisas assim? Eu arrisco dizer que √© porque eles n√£o se levam a s√©rio e n√£o se d√£o o valor.

Por fim, um √ļltimo comportamento que me d√° nos nervos e que √© um sintoma desta desvaloriza√ß√£o √© o fato de apresentar tr√™s vers√Ķes de uma pe√ßa pro cliente escolher. Acho isso o fim da picada. Nada errado em fazer tr√™s vers√Ķes e at√© levar para a apresenta√ß√£o para ter algo na manga caso a apresenta√ß√£o daquela pe√ßa que voc√™ achou a mais apropriada, der errado. Mas j√° mostrar de cara tr√™s vers√Ķes (de uma marca, por exemplo) para o cliente escolher √©, pra mim, um atestado de incompet√™ncia.

√Č algo como dizer “toma, olha essas tr√™s op√ß√Ķes e me diga qual a que mais gostou, porque nem pra isso eu sirvo”. Para me ajudar a explicar, novamente fa√ßo compara√ß√£o com o trabalho do m√©dico. O m√©dico mostra tr√™s vers√Ķes do diagn√≥stico para a gente escolher qual √© o melhor? N√£o, n√©? O que ele oferece, quando √© poss√≠vel, s√£o op√ß√Ķes para o tratamento. Mas ele n√£o as apresenta de cara pra que fa√ßamos uma escolha. Ele mostra aquela que julga ser a mais adequada e, depois, se for poss√≠vel, fala que existem alternativas e, cada uma delas tem seu ponto positivo e ponto negativo.

Todas as vezes que me vi nesta situa√ß√£o com um m√©dico, ele me disse que a primeira op√ß√£o tinha uma justificativa bem plaus√≠vel. E me apresentava o embasamento para aquela escolha. Acontece que em mais de 90% dos casos os publicit√°rios n√£o tem o embasamento para justificar sua escolha e recomenda√ß√£o. √Č tudo baseado no achismo e no gosto pessoal. Da√≠, o cliente acaba achando que se √© algo baseado no gosto pessoal, ele , por ser dono do neg√≥cio, entende mais e tem o ‚Äúgosto mais apurado‚ÄĚ. A√≠, meu amigo, ferrou.

Quando chega a esse ponto, o publicit√°rio ou a ag√™ncia vira apenas manobrista de layout; aumentando a marca e ‚Äúchegando o texto mais para a direita‚ÄĚ. O fato √© que, na maioria esmagadora das vezes, o publicit√°rio n√£o sabe argumentar como aquilo que ele fez vai resolver o problema do cliente.

O publicit√°rio acha que defender um conceito √© uma quest√£o de “l√°bia”. Isso porque ele n√£o sabe. Porque ele n√£o fez pesquisa. Por que a sua proposta n√£o tem subst√Ęncia. A√≠, acha que tudo √© na base do “Rolando Lero”. E sabe por qual motivo que o publicit√°rio n√£o tem argumento ou subst√Ęncia para defender sua escolha? Acertou, porque ele come√ßou a fazer aquela pe√ßa meia hora antes de apresentar pro cliente. A√≠, n√£o deu tempo de fazer pesquisa (te dizer que faz muito tempo que vi uma proposta de a√ß√£o de publicidade efetivamente baseada em pesquisa). N√£o deu tempo de embasar as escolhas. N√£o deu tempo de nada. Depois, claro, n√£o d√° pra reclamar. E voltamos a quest√£o inicial.

O meu ponto é: enquanto isso persistir, publicitário vai ser tratado do jeito que é. E eu acho que a origem destes problemas é justamente porque ele não se respeita e não faz as coisas com seriedade. Claro. Tem aqueles que preferem trabalhar de madrugada e também os gênios que fazem uma versão perfeita logo na primeira tentativa. Mas estes são pontos fora da curva.

O normal mesmo √© termos o comportamento que mina o sucesso da atividade. √Č a participa√ß√£o em ‚Äúconcorr√™ncias‚ÄĚ e o trabalho executado sem pesquisa, feito de forma tocada, na √ļltima hora. Enquanto estes comportamentos forem tratados como a normalidade, tamb√©m os publicit√°rios e as ag√™ncias continuar√£o sendo tratados como s√£o. Talvez isso n√£o seja uma causa direta, mas minha leitura √© a de que, de certa forma, interfere, sim, no jeito que as pessoas externas √† profiss√£o l√™em os publicit√°rios.

Enfim… Essa é a minha questão, na verdade a minha preguiça, com essa extrema informalidade dos publicitários.

Abandonando a mediocridade

Este é o segundo de dois posts muito especiais resgatados dos arquivos do blog. Eles tratam do apagão de mão-de-obra qualificada no Brasil. Em especial no setor de comunicação e tecnologia. São 05 textos que consolidei em dois posts. Originalmente foram publicados em julho de 2010.

Abandonando a mediocridadeParte 01 ‚Äď Produ√ß√£o Web

Aproveitando o momento de choque de realidade proporcionado pelo post sobre o apagão da mão-de-obra, imagino que seja interessante para muita gente saber como reverter a situação atual e deixar de ser um estudante ou profissional medíocre. Começarei pela Produção Web.

Então…  O Sérgio e o Dito deram algumas dicas nos comentários do post. Darei sequencia a elas e procurarei proporcionar algum tipo de auxílio a quem quer sair desta desconfortável posição.

Em primeiro lugar, √© legal verificar se voc√™ faz parte do contingente de estudantes / profissionais med√≠ocres. Para tanto, fa√ßa algumas pondera√ß√Ķes:

  • Voc√™ j√° recebeu alguma negativa em um processo de sele√ß√£o de alguma empresa sem motivo aparente ou com a justificativa de que sua qualifica√ß√£o ou conhecimento est√£o aqu√©m do demandado para a vaga? N√£o vale aqueles casos em que voc√™ mandou um portf√≥lio ou CV e a empresa nem respondeu. Existe muita empresa mal-educada que n√£o d√° retorno aos candidatos. Nestes casos, n√£o necessariamente a quest√£o √© com o candidato‚Ķ
  • Voc√™ acha que as exig√™ncias listadas nas vagas ofertadas s√£o muito altas dentro da sua √°rea de forma√ß√£o? Ex: Se voc√™ quer trabalhar com produ√ß√£o, acha que √© muito abuso da empresa querer que voc√™ saiba PHP ou domine JavaScript?
  • Voc√™ desconhece mais do que 25% dos itens exigidos nas descri√ß√Ķes das vagas para as quais voc√™ pensa em se candidatar ou se candidata? Ex: Voc√™ n√£o sabe o que √© JQuery, Tableless, APIs‚Ķ

Se voc√™ respondeu ‚Äúsim‚ÄĚ a pelo menos uma dessas perguntas, uma mudan√ßa de atitude profissional √© imperativa pois, necessariamente, voc√™ se encaixa naquela categoria de profissionais / estudantes e talvez seja esta a causa de sua posi√ß√£o atual.

Mas não tema… Há sempre o que fazer para mudar a sua situação. Abaixo, algumas coisas importantíssimas.

  1. Capacite-se em ingl√™s. Fa√ßa urgentemente um curso e trate de dominar o idioma. J√° disse um milh√£o de vezes e direi enquanto achar suficiente. Antes de sair fazendo cursos espec√≠ficos ou p√≥s-gradua√ß√Ķes, fa√ßa um curso de ingl√™s. O conhecimento deste idioma ser√° importante para voc√™ tirar melhor proveito de qualquer curso que quiser fazer.
  2. Busque conhecimento em fontes gratuitas online. O Dito mencionou o¬†Lynda, mas tem tamb√©m o¬†php. net, o¬†w3schools, o pr√≥prio¬†w3c¬†e o site do¬†Maujor¬†(para n√£o dizer que n√£o mencionei ningu√©m que propaga informa√ß√£o bacana para capacita√ß√£o em portugu√™s). Nestes sites h√° muito conte√ļdo bacana para voc√™ aprender muito sobre HTML, JavaScript, CSS e PHP (ferramentas muito importantes para quem quer trabalhar com Produ√ß√£o Web). Fa√ßa os tutoriais, tenha paci√™ncia e dedique-se‚Ķ √Č compreendendo seus erros (mesmo os exerc√≠cios mais b√°sicos reservam desafios) que voc√™ aprender√° de verdade.
  3. Compre um livro. Recomendo o do Maujor e o dos Deitel. São abrangentes o suficiente para ajudar quem já conhece um pouco e também quem não conhece nada. Adicionalmente, dê uma olhada nos títulos da editora Novatec (vale sempre explicar que eu não estou recomendando nada em troca de dinheiro ou de qualquer outra coisa). Eles têm bons títulos. Coma estes livros. Entenda o que está lá. Estude, leia e releia.
  4. Dedique-se e pratique! Exercite-se bastante. Construa os exemplos dos livros e depois faça os seus próprios… Coloque o que você fez no ar em um site seu. Apareça.
  5. Quando você começar a dominar o assunto, mostre o que você sabe. Discuta sobre o assunto num blog e mostre o que você sabe fazer em um site seu. Além de ajudar mais gente, você mostrará o quanto sabe e colocará a sua cara a tapa. Discuta suas ideias e mostre do que você é capaz.
  6. Como o S√©rgio falou, pense diferente. Quando voc√™ come√ßar a dominar algum assunto, pensar fora da caixa ser√° natural. Exercite esta capacidade e mostre do que voc√™ √© capaz. Pense em solu√ß√Ķes alternativas e caminhos mais f√°ceis que coloquem em pr√°tica o que voc√™ aprendeu.
  7. Por √ļltimo, volte a se candidatar as vagas que antes eram imposs√≠veis para voc√™. Aposto que os resultados come√ßar√£o a ser diferentes.

√Č claro que esta √© uma lista pequena e muito simplificada, mas √© um √≥timo come√ßo. Tenho certeza que depois de chegar nas etapas 4 ou 5 voc√™ perceber√° mudan√ßas sens√≠veis em sua capacidade profissional e em sua postura.

N√£o tenha d√ļvidas de que voc√™ s√≥ ter√° a ganhar estudando, se capacitando, adotando uma postura humilde e pensando de forma diferenciada. N√£o h√° contra-indica√ß√Ķes.

Bem, espero ter ajudado… Em breve, novas dicas para quem quer se aventurar em outras carreiras ligadas a comunicação e tecnologia.

Parte 02 ‚Äď Design de Interfaces

Dando sequencia √†s reflex√Ķes sobre o apag√£o da m√£o-de-obra qualificada ‚Äď especialmente no mercado de comunica√ß√£o e tecnologia ‚Äď aventuro-me neste post a falar sobre o design de interfaces.

√Č incr√≠vel perceber, gostaria de ressaltar antes de come√ßar o post em si ‚Äď como √© comum vermos hoje em dia (em pleno ano de 2010) que tem gente que chama o designer de interfaces de webdesigner‚Ķ Quest√£ozinha que me d√° at√© pregui√ßa‚Ķ Mas √© legal deixar claro que n√£o se trata da mesma coisa. O que se chamava no passado de webdesigner n√£o existe mais hoje; era aquele profissional que, sozinho, dava conta de toda a produ√ß√£o de um site. Hoje, feitas as devidas adapta√ß√Ķes, o webdesigner estaria mais para um gestor de projetos do que para um cara que desenha interfaces em si. Este cara, o que desenha as interfaces, e o seu trabalho s√£o os pontos centrais de minha reflex√£o de hoje.

Falando sobre este trabalho, então, não é difícil percebermos que tem muita gente querendo trabalhar com isso. Entretanto, novamente temos aqueles grandes agrupamentos de categorias (ou capacidade / qualidade) dos profissionais…

  • Uma minoria √≠nfima tem talento e √© capaz de propor algo novo e bacana.
  • Um grande contingente simplesmente replica o que v√™ e tem certo dom√≠nio da ferramenta para execu√ß√£o e, com isso, mant√©m-se no mercado sem muito destaque.
  • Um contingente ainda maior que o anterior √© de gente ruim de servi√ßo.

Como todo mundo quer sempre subir um degrau nesta escala de qualidade profissional, espero aqui ajudar com algumas dicas. De quebra, imagino que ajudarei algumas pessoas a abandonarem o estado de mediocridade profissional e garantir seu lugar ao sol. Obviamente seria um delírio achar que todo mundo deveria (ou conseguiria) se encaixar no estágio avançado de propor coisas novas e se dar bem com isso. Entretanto, é legal sabermos que às vezes a gente vai se encontrar quase lá. E comportar-se de acordo com isso é importante; especialmente para não levarmos grandes rasteiras da vida.

  1. Entenda que¬†ser um bom designer de interfaces √© algo que vai al√©m do dom√≠nio de uma ferramenta ou outra. Voc√™ deve compreender o que √© design, ter boas no√ß√Ķes de composi√ß√£o, equil√≠brio e de cores. A ferramenta em si √©, como j√° disse, secund√°ria. Saber o que deve ser feito √© infinitas vezes mais importante do que saber o que cada bot√£o faz num software. Cuidado para n√£o entender errado‚Ķ N√£o quero dizer que voc√™ n√£o deve dominar as ferramentas, mas sim que apenas domin√°-las n√£o faz de voc√™ um bom designer de interfaces. Para entender isso, h√° algumas boas fontes, on e offline. Os livros do¬†Modesto Farina, o do¬†Jo√£o Gomes Filho¬†e tamb√©m o do¬†Felipe Mem√≥ria¬†podem ajudar bastante nisso. O do Felipe, inclusive, deve ser lido por quem quer trabalhar com planejamento e com experi√™ncia tamb√©m. Mas disso falaremos num momento mais adiante. Dentre as refer√™ncias online, a¬†Communication Arts¬†√© uma excelente pedida. Confesso que tenho um pouco de pregui√ßa daqueles sites que re√ļnem uma listagem de sites bonitos. Isso porque geralmente n√£o se v√™ muita cria√ß√£o, mas sim replica√ß√£o‚Ķ
  2. Colecione boas referências. Navegue bastante, leia bastante, assista bastante, preste atenção e tudo o que você vê nas ruas e fora delas. O tempo todo. Tudo pode ser uma boa referência. Mas a coisa não para por aqui. Você deve aprender a tratar as referências como referências. Policie-se para não sair por aí replicando as coisas que vê. Este é um grande desafio.
  3. Compreenda que desenvolver interfaces demanda conhecimento daquilo que voc√™ vai fazer, mas tamb√©m conhecimento do p√ļblico que vai usar aquilo que voc√™ vai fazer e ‚Äď obviamente ‚Äď das inclina√ß√Ķes estrat√©gicas da entidade para a qual voc√™ vai fazer aquela interface. Procure, ent√£o,¬†conhecer o usu√°rio, suas caracter√≠sticas, costumes e demandas, bem como aquilo que os concorrentes da entidade que lhe contratou para desenvolver aquela interface fazem e quais s√£o os objetivos desta entidade tanto no que se refere a esta interface em si quanto no que se refere as estrat√©gias mais abrangentes da entidade.
  4. Tenha em mente que¬†desenvolver interfaces √© uma etapa num processo maior, que acontece depois que ensaios visuais foram feitos e que pesquisas foram conduzidas e antes que as solu√ß√Ķes sejam efetivamente constru√≠das. Levem em considera√ß√£o, ent√£o, que voc√™ deve saber trabalhar em grupo, se envolver em etapas anteriores e envolver produtores e programadores que colocar√£o as m√£os na massa em etapas posteriores. E que fique bem claro que todos est√£o trabalhando para atingir um objetivo comum. Este tipo de envolvimento √© bacana pois reduz riscos de retrabalho, garante o alinhamento do projeto e minimiza as chances de algo dar errado. Se voc√™ √© um bom profissional e se v√™ em uma empresa que n√£o pratica estas boas pr√°ticas, tentar implement√°-las √© uma excelente demonstra√ß√£o de sua capacidade e potencial. Se voc√™ n√£o √© um bom profissional, nem perceber√° que √© uma falha quando isso n√£o acontece. E se voc√™ √© um profissional med√≠ocre, vai reclamar quando algu√©m da produ√ß√£o ou do planejamento der algum pitaco que macule a sua obra de arte. Pense nisso.
  5. Desenvolva suas capacidades no uso das ferramentas. Esta dica √© a √ļltima justamente pois penso que este dom√≠nio, embora seja uma maneira bem f√°cil e eficiente de as empresas filtrarem os bons profissionais, n√£o deve ser o seu objetivo final de desenvolvimento profissional. Guarde isso:¬†todo bom designer de interfaces domina as ferramentas. Mas nem todos os que dominam as ferramentas s√£o bons designers de interfaces. Uma coisa que recomendo a todos √© evitar cursos puramente voltados ao uso dos software. Normalmente estes cursos s√£o pouco produtivos. Costumo recomendar cursos aplicados a objetivos ou procedimentos espec√≠ficos e tamb√©m a utiliza√ß√£o for√ßada‚Ķ Algo que mistura a busca por refer√™ncias, o aprendizado online por meio de tutoriais e o desenvolvimento de capacidades a partir do exerc√≠cio for√ßado. pegar uma composi√ß√£o bacana e se propor a replicar aquele efeito que voc√™ achou legal √© um excelente exemplo disso. √Č o famoso ‚Äúaprenda fazendo‚Ä̂Ķ Costuma ser mais eficiente do que um curso para saber quais s√£o os atalhos da ferramenta.

√Č claro que esta √© uma lista bem curta. Se voc√™ procurar um bom designer de interfaces, como o¬†Herbert Rafael¬†ou o¬†Daniel Negreiros, eles te falar√£o muitas outras coisas bastante eficientes e mais espec√≠ficas. De qualquer forma, imagino que estas cinco dicas listadas acima podem te ajudar a sair de um estado de mediocridade profissional e coloc√°-lo no rumo de um futuro mais bacana.

Parte 03 ‚Äď Atendimento e GP

Então você se encaixa numa categoria que quase se gaba poor não ter que dominar código, saber fazer layouts e ainda assim quer trabalhar no crescente e promissor mercado de comunicação e tecnologia. Good for you! Lembre-se, no entanto, que, embora bastante comum em empresas de comunicação offline, um atendimento em empresas de tecnologia e comunicação não tem o direito de ser acéfalo…

Saiba que é muito fácil você acabar sendo demitido(a) ou nunca contratado(a) se achar que dá para permanecer sem saber como as coisas funcionam ou o que é possível fazer ou não em um projeto de comunicação e tecnologia. Claro que tem gente que vai achar que é muito mais fácil desempenhar este papel (o de atendimento) num mundo onde as tecnologias mudam com uma rapidez absurda e que os profissionais responsáveis pela execução dos projetos ralam como loucos. Entretanto, a verdade não é bem essa.

Um primeiro motivo para esta n√£o ser uma verdade √© que existem empresas que insistem em misturar o atendimento com o gestor de projetos (GP) e isso acaba por tornar a vida deste profissional um caos. Entendo que √© muito complicado manter uma estrutura grande em v√°rios casos, mas quando n√£o √© poss√≠vel ter dois profissionais distintos para estas fun√ß√Ķes, deve existir uma contra-partida salarial e de carga de clientes. Ent√£o, a primeira coisa a fazer √© saber dimensionar a capacidade de gerenciamento de contas que um profissional deve desempenhar na empresa. Esta quantidade n√£o deve ser muito grande pois isso facilmente gerar√° decep√ß√£o por parte dos clientes e isso nada √© bom para os neg√≥cios.   Outra coisa importante que empresas costumam negligenciar √© que este profissional ‚Äď por ser muito exigido e desempenhar papel importante nos projetos ‚Äď deve ser remunerado de forma adequada. Se a empresa quiser pagar pouco, ter√° sempre que se contentar com ac√©falos. A√≠, n√£o h√° do que reclamar. Cada um cava sua cova.

Tratadas as quest√Ķes estrutural e de condi√ß√Ķes de trabalho (que s√£o de responsabilidade das empresas), vamos ao que √© demandado deste profissional. Como j√° disse, muita gente acha que este √© o trabalho mais ‚Äúmamata‚ÄĚ da empresa, mas n√£o √© por a√≠. Este profissional deve ter um bom conhecimento de tudo o que √© poss√≠vel ser feito, de todas as tecnologias e possibilidades de atua√ß√£o existentes e ser um excelente comunicador e intermediador de rela√ß√Ķes. De nada vale um atendimento que funciona apenas como um leva-e-traz de demandas por parte do cliente e de respostas por parte da empresa. Este profissional deve ser capaz de ‚Äď quando no cliente ‚Äď saber responder o que a empresa d√° conta de fazer, ter boa no√ß√£o de prazos e capacidades e tamb√©m ser capaz de frear as viagens do cliente, passando a ele um panorama real de tudo o que ser√° feito. Do lado da empresa, ele deve ser capaz de representar o cliente ali, junto aos profissionais de planejamento e de produ√ß√£o. Ele deve conhecer o cliente muito bem para saber ‚Äď antes de apresentar alguma proposta ‚Äď se aquilo vai ser aprovado ou n√£o tem chances. Sua import√Ęncia √© vital pois √© ele quem representa a empresa junto ao cliente e tamb√©m representa o cliente dentro da empresa. Viu s√≥ como este profissional √© importante? Se for um ac√©falo, a empresa estar√° dando um tiro no pr√≥prio p√©!

Como se n√£o bastassem as atribui√ß√Ķes e caracter√≠sticas acima descritas, h√° empresas (e n√£o s√£o poucas) que ainda empilham nas costas destes profissionais a fun√ß√£o de gerenciar projetos. Como disse, n√£o acho que isso √© legal, mas‚Ķ N√£o sou eu quem regula o mercado. Assim sendo, vamos a algumas caracter√≠sticas imprescind√≠veis que um gestor de projetos deve ter. Al√©m de ter as boas no√ß√Ķes de prazos, capacidades, possibilidades e um bom conhecimento do or√ßamento e das diretrizes do projeto, este profissional deve ter uma excelente no√ß√£o de tempo para bem planejar as atividades que ser√£o desempenhadas. Ele deve ser o respons√°vel pela montagem de um cronograma v√°lido (Este papo de que ‚Äúnenhum cronograma √© respeitado‚ÄĚ √© coisa de gente ruim de servi√ßo. N√£o √© para me gabar, mas em meus cinco √ļltimos trabalhos, me vi encurralado com um cronograma desumano, mas respeitei todos os prazos que me foram impostos e entreguei tudo o que me pediram nas datas combinadas. E olha que n√£o eram trabalhos que dependiam apenas de mim‚Ķ)  e de cuidar para que este cronograma seja cumprido. Ele deve saber alocar recursos e profissionais dentro da empresa e cobrar o que for necess√°rio ser entregue pelo cliente.

Al√©m disso tudo, este profissional tem papel fundamental no planejamento da solu√ß√£o. Sem que tem empresa que ainda empilha mais esta fun√ß√£o ao profissional, mas a√≠ √© demais. Este tipo de coisas simplesmente n√£o funciona e quem faz isso, em minha opini√£o, tem mais √© que se dar mal mesmo. Empilhar tr√™s fun√ß√Ķes √© for√ßar demais a barra. O ideal √© que sejam tr√™s profissionais distintos (atendimento ‚Äď GP e Planejamento). Empilhar duas fun√ß√Ķes (Combine o empilhamento como quiser) ainda vai. Mas tr√™s, √© demais.

Donos de empresa e profissionais, lembrem-se de que a gan√Ęncia √© a ru√≠na do homem. Se voc√™ quer ganhar mais e contratar menos gente, isso ter√° consequ√™ncias. Se voc√™ quer ganhar mais e acumular fun√ß√Ķes, saiba que isso ter√° consequ√™ncias‚Ķ

Entretanto,  o profissional que gerencia os projetos deve ter um excelente tr√Ęmite tanto junto ao planejamento quanto com a dire√ß√£o de arte e a produ√ß√£o; sem mencionar o cliente.

Novamente pergunto, retoricamente: viu como este profissional n√£o pode ser um ac√©falo? Se voc√™ quer ser este profissional, saiba que ele ganha muito bem (ou pelo menos deve ganhar) e que o b√īnus n√£o vem desacompanhado de √īnus (normalmente √© o cara que mais se estressa durante um projeto, e √© o que menos pode demonstrar isso).

Para não ser um profissional medíocre, então, um resumo de qualidades a perseguir:

  1. N√£o seja um ignorante digital. Conhe√ßa tecnologias, possibilidades e capacidades. Entenda de conceitos novos e saiba que voc√™ sempre ser√° demandado por parte do cliente para explicar o que deve ser feito e os motivos de tal coisa ser feita de um jeito ou de outro. Voc√™ deve ser capaz de prometer entregar algo que a sua produ√ß√£o consiga fazer.  Saber falar a l√≠ngua do cliente e tamb√©m a da produ√ß√£o √© primordial. Os pr√©-requisitos n√£o s√£o poucos.
  2. Ter um excelente jogo de cintura. Você vai ter que lidar com prazos apertados vindos do cliente e muitas vezes empurrados para a produção. Você vai ter que agradar ambos. Boa capacidade de comunicação e ser uma pessoa que se relaciona facilmente com os outros são importantes para este profissional.
  3. Saber que voc√™ dever√° ter conhecimento mais do que b√°sico de planejamento, dire√ß√£o de arte, produ√ß√£o e ‚Äď claro ‚Äď gest√£o de projetos. Este conhecimento n√£o √© t√©cnico necessariamente, mas sim do que consistem estas atividades. Voc√™ sera muito cobrado e cobrar√° muito. √Č preciso ter conhecimento para isso.
  4. Lembre-se: voc√™ representa o cliente na empresa e a empresa no cliente. Aprenda a agir profissionalmente e de maneira completa. Conhe√ßa bem o cliente e tamb√©m a empresa.  Saiba gerenciar expectativas e cobran√ßas.
  5. Por √ļltimo, aprenda que √© importante ser uma pessoa organizada √© algo mais do que imprescind√≠vel para desempenhar estas fun√ß√Ķes. Se voc√™ perder o fio da meada, muita coisa ruim vai acontecer com seu projeto, seu cliente e, consequentemente, com seu emprego.

Bem, espero que estas dicas ajudem voc√™ profissional e tamb√©m voc√™ que tem uma empresa; afinal, n√£o √© s√≥ responsabilidade do empregado respons√°vel por estas fun√ß√Ķes fazer as coisas andarem.

Parte 04 ‚Äď Planejamento

Post rapidinho para dar sequ√™ncia aos apontamentos de solu√ß√Ķes para o apag√£o da m√£o-de-obra qualificada.

Um profissional de planejamento med√≠ocre que trabalha com comunica√ß√£o e tecnologia √© aquele que j√° tem o site / produto / a√ß√£o completamente planejado enquanto o atendimento lhe repassa o briefing. √Č aquele profissional que acha que um microsite (uma aberra√ß√£o tamb√©m chamada de hotsite) resolve qualquer problema de lan√ßamento de produto e acredita no mantra de que o importante √© ‚Äúgerar buzz‚ÄĚ (seja l√° o que isso queira dizer). Ou seja: um profissional de planejamento med√≠ocre √© aquele que trabalha com solu√ß√Ķes pr√©-fabricadas e n√£o entende (ou acha que n√£o precisa saber) as necessidades dos usu√°rios e de seu cliente. Suas propostas n√£o inovam e nem se modificam. E o mais grave: ele acha que sabe algo. E isso √© muito perigoso!

Para ser bem direto, se voc√™ se enxergou em alguma(s) das afirma√ß√Ķes sobre um profissional de planejamento med√≠ocre apresentadas acima, eis algumas dicas para voc√™:

  1. Seu trabalho n√£o acontece dentro de quatro paredes.  Saia da sua sala e v√° para a rua. Conhe√ßa o usu√°rio que vai se beneficiar daquilo que voc√™ est√° fazendo (ou planejando). Conhe√ßa as reais necessidades do cliente que te contratou. Converse com ele. Procure entender o que deve ser bom para estes dois ‚Äústakeholders‚ÄĚ em especial. Ganhar um pr√™mio de criatividade deve ser uma consequ√™ncia e n√£o um objetivo. Pense que seu objetivo √© fazer algo que seja apropriado para as necessidades do usu√°rio e que atinja os objetivos do cliente. Observe os concorrentes e aprenda a aproveitar o que h√° de melhor e evitar replicar o que h√° de ruim nestas iniciativas. Pesquise antes de come√ßar a apontar solu√ß√Ķes baseadas em sua ‚Äúexperi√™ncia‚ÄĚ. Aprenda a ensaiar e a testar antes de apresentar uma solu√ß√£o final.
  2. Seu trabalho n√£o √© centrado em voc√™.  Seu trabalho √© centrado no usu√°rio que vai se beneficiar daquilo que voc√™ est√° fazendo (planejando). N√£o ache que voc√™ conhece o usu√°rio sem ter ido a campo e realmente observado, conversado e aprendido. Muitas vezes vemos solu√ß√Ķes concebidas com base em pr√©-conceitos (no sentido restrito da express√£o) e que n√£o funcionam. Para evitar isso √© legal ter sempre em mente que o profissional de planejamento √© muito importante porque ele deve ser o profissional capaz de transformar esta massa bruta de informa√ß√Ķes em uma proposta de solu√ß√£o adequada, e n√£o porque ele j√° conhece como o usu√°rio pensa. Ali√°s, quando algu√©m falar isso, saiba que trata-se de principal cart√£o de visitas de um profissional de planejamento med√≠ocre.
  3. Seu trabalho n√£o consiste em reinventar a roda.  Isso n√£o quer dizer que todas as solu√ß√Ķes propostas por voc√™ devem ser iguais‚Ķ Entenda: Voc√™ n√£o tem que ser inventivo, voc√™ precisa ser atento e competente para planejar solu√ß√Ķes adequadas para os usu√°rios e ‚Äď obviamente ‚Äď que estejam dentro dos objetivos propostos pelo cliente que te contratou. Isso quer dizer que os trabalhos n√£o t√™m que ser totalmente in√©ditos, eles t√™m que ser adequados. Esta adequa√ß√£o pode implicar em adaptar algo que j√° funciona hoje sem ter que reescrever tudo a partir do zero‚Ķ Entendeu?
  4. Seu trabalho n√£o depende apenas de voc√™.  Voc√™ √© parte de uma equipe. Se voc√™ planejar algo que n√£o pode ser executado, seu trabalho n√£o valeu muito. Se voc√™ planejar algo que est√° em desacordo com as diretrizes passadas a voc√™, voc√™ n√£o fez um bom servi√ßo. Se voc√™ se fechar numa salinha e resolver tudo sem consultar o cliente, o atendimento, conversar com o designer de interface, o produtor e pesquisar com o usu√°rio, voc√™ n√£o ter√° feito um bom trabalho. Voc√™ n√£o √© obrigado a saber tudo. Por isso existe uma equipe. O profissional que acha que sabe tudo, n√£o √© um profissional, √© um idiota. Voc√™ tem que se lembrar que seu trabalho tem um objetivo ‚Äď apontado pelo cliente ‚Äď e uma prioridade ‚Äď atender as necessidades dos usu√°rios. Ningu√©m consegue atingir um objetivo e atender uma prioridade t√£o amplos como estes sozinho.
  5. Seu trabalho n√£o se resume ao que voc√™ tem que fazer.  Aprenda a perguntar. Profissionais de planejamento costumam se colocar numa posi√ß√£o de or√°culo, dando mais respostas do que fazendo perguntas. Isso n√£o deve existir. Voc√™ precisa conversar e tentar ir al√©m, tendo em mente o objetivo e a prioridade que foram apresentadas acima. Fazer al√©m √© extrapolar aquelas linhas da OS dentro destes par√Ęmetros. N√£o se trata de fazer o que n√£o foi pedido, afinal, voc√™ n√£o tem bola de cristal. Trata-se de resolver problemas de maneira eficiente pensando al√©m (pode ser em termos de prazo, de alcance ou de escopo). Outra coisa importante, dentro desta premissa √© entender que seu trabalho deve ser complementado com os expertises dos outros membros da equipe. O trabalho deve ser feito em conjunto, sempre!
  6. Seu trabalho demanda ficar atento e prestar aten√ß√£o em tudo a sua volta. Planejar a√ß√Ķes implica em saber caminhos que podem ser seguidos. Para saber qual caminho escolher, √© preciso conhecer os caminhos e entender os destinos para os quais estes caminhos levam. Isso quer dizer que voc√™ deve experimentar as coisas, saber como elas funcionam e entender o que h√° por tr√°s delas. Se voc√™ n√£o tiver este conhecimento, fatalmente suas propostas de solu√ß√Ķes ser√£o ainda mais limitadas.

Update: São capacidades imprescindíveis para um profissional de planejamento:

  • Saiba trabalhar com m√©todos e t√©cnicas de pesquisa
  • Saiba perguntar e retirar a ess√™ncia nas respostas recebidas
  • Saiba se explicar por meio de textos e visualmente
  • Saiba trabalhar em equipe
  • Saiba conversar com usu√°rios, cliente e equipe

O apag√£o da m√£o-de-obra qualificada

Este é o primeiro de dois posts muito especiais resgatados dos arquivos do blog. Eles tratam do apagão de mão-de-obra qualificada no Brasil. Em especial no setor de comunicação e tecnologia. São 05 textos que consolidei em dois posts. Originalmente foram publicados em julho de 2010.

Na semana passada estava conversando com o Fred e um dos assuntos foi: estamos vivendo um apagão de mão-de-obra qualificada.

Sem sombra de d√ļvidas, estamos sim vivendo este apag√£o. Um dos indicativos mais latentes desta falta de m√£o-de-obra √© este pr√≥prio blog. Se n√£o fosse pelo apag√£o, ele estaria √†s moscas, mas ultimamente tem virado um balc√£o de vagas disponibilizadas pelos colegas do mercado que sabem que eu tenho um p√ļblico primordialmente formado por profissionais da √°rea e futuros profissionais (meus alunos). Sei que tem gente que n√£o gosta que o blog seja substitu√≠do por um balc√£o de vagas, mas √© meio que incontrol√°vel.

Como a coisa j√° se instalou, vamos √†s perguntas e a√ß√Ķes pr√°ticas:

Onde se manifesta o apag√£o?O apag√£o √© claro na √°rea de tecnologia. Desenvolvedores de interface, gestores de projeto, designers de experi√™ncia e de intera√ß√£o, programadores, profissionais de planejamento e marketing eletr√īnico s√£o os que mais est√£o fazendo falta por a√≠‚Ķ

Muito embora seja fácil notar que há vários cursos de graduação e pós nessas áreas (ou que contemplem estas áreas) o pessoal se divide em três grupos básicos:

  1. os bons de servi√ßo que j√° est√£o empregados ou trabalham como freelancers e que d√£o o pre√ßo de seus servi√ßos (ou seja: escolhem sal√°rios) ‚Äď Esta galera representa algo entre 01 e 05% do total.
  2. profissionais ou estudantes medianos, que d√£o conta do recado e, por isso mesmo, vivem pulando de emprego em emprego (se paga R$ 10,00 a mais no sal√°rio, o povo t√° indo) ‚Äď Este montante representa algo entre 45 e 50% do total da m√£o de obra ofertada.
  3. profissionais ou estudantes medíocres. Este grupo dispensa apresentação e representa os 50% restantes da mão de obra ofertada.

Qual é o tamanho do apagão?Pelas contas feitas a partir dos grupos acima listados, dá para perceber facilmente que o mercado está trabalhando com uma capacidade ociosa alta. Praticamente todo mundo está precisando de gente de qualidade para trabalhar e não está encontrando.

Deve ficar bem claro que a quest√£o n√£o √© falta de gente. Gente tem de sobra. O problema √© que n√£o tem gente capaz. Ou seja: embora tenha muita gente desempregada, isso n√£o indica que o mercado est√° saturado. Mas de jeito nenhum! O que acontece √© que tem muita gente ruim de servi√ßo e pouca gente realmente qualificada!  Por mais que isso possa te deixar com raiva de mim, lembre-se que n√£o sou eu quem est√° falando, √© o empregador‚Ķ √Č o dono de ag√™ncia, de produtora e de f√°brica de software‚Ķ Esse pessoal est√° arrancando os cabelos pois tem demanda de trabalho mas n√£o consegue achar gente boa o suficiente para trabalhar.

Sou um empregador, o quê devo fazer?Em primeiro lugar, tentar se virar com o contingente de mão-de-obra que tem. Num segundo momento, vejo algumas atitudes que não podem ser ignoradas:

  1. Seja realista e evite buscar aquele funcionário canivete-suíço. Este cara não existe e, se existisse, não estaria disposto a receber o que você quer pagar.
  2. Aumente sua proposta de salário. Isso ajudará a fazer os bons profissionais considerarem ficar mais tempo com você.
  3. Crie um ambiente bacana para o funcion√°rio se sentir estimulado a trabalhar em sua empresa.
  4. Seja honesto com seus clientes com relação a esta questão de mão-de-obra e ajuste seus contratos. Talvez você esteja cobrando pouco demais e isso causa um efeito cascata em sua estrutura.
  5. Procure treinar profissionais que j√° trabalham com voc√™ e tamb√©m os novos funcion√°rios. Custa caro e √© arriscado, mas se voc√™ oferece um bom sal√°rio, um bom ambiente de trabalho e boas condi√ß√Ķes, os riscos s√£o minimizados. Investir em treinamento pode ser uma boa sa√≠da para o apag√£o, mas n√£o funciona isoladamente.

Sou um profissional (ou quase). O qu√™ devo fazer para tirar proveito do apag√£o?Antes de mais nada, seja honesto consigo mesmo e verifique em qual das tr√™s categorias de profissionais / estudantes voc√™ se encaixa. Se voc√™ se encaixa no grupo 1, relaxe e aproveite. Se se enquadra no grupo 2, procure uma empresa para ficar mais tempo trabalhando e lembre-se que se voc√™ ficar pulando de galho em galho, n√£o crescrer√° em lugar algum. Tente ‚Äúaquetar o faixo‚ÄĚ um pouco para crescer numa empresa que seja bacana para voc√™. O mercado de trabalho n√£o √© uma boite‚Ķ Encare um emprego como um relacionamento que voc√™ tem que trabalhar em conjunto com seu empregador para que seja duradouro.

Se você se encaixa no terceiro grupo de profissionais / estudantes, há muito para fazer:

  1. Passe a levar as coisas mais a s√©rio. O mercado de trabalho n√£o √© como a escola, onde se voc√™ fizer o m√≠nimo necess√°rio, se d√° bem. Aqui ningu√©m quer saber se o seu colega de grupo ‚Äúbarrigou‚ÄĚ o projeto inteiro e sua responsabilidade pelo fracasso deve ser minimizada em fun√ß√£o disso. O pessoal quer resultados. Ent√£o acorde para a realidade!
  2. Capacite-se. A culpa não é da sua escola. Falo isso pois sei que escola nenhuma te capacitará por completo. Assim sendo, mexa-se e corra atrás! Pode fazer cursos o quanto quiser, mas se você não se comprometer de verdade, nunca sairá do lugar. Esta capacitação inicial é primordial para você se dar bem depois. Pense nisso.
  3. Depois da capacita√ß√£o b√°sica, v√° al√©m! Especialize-se em algo. Escolha uma coisa e corra atr√°s dela. Aprenda a avaliar as oportunidades que aparecem e veja de que tipo de profissional o mercado est√° precisando. Busque ser este profissional. Pode ser com cursos, pode ser de maneira aut√īnoma. Em rar√≠ssimas situa√ß√Ķes uma certifica√ß√£o oficial lhe ser√° exigida. Ent√£o, n√£o √© ‚Äúfazendo um curso‚ÄĚ que voc√™ vai se capacitar. Muito menos abandonando a escola de vez. O segredo √© realmente cursar algo ou comprometer-se com algo (caso n√£o exista algum curso ou algo semelhante).
  4. Estude um segundo idioma. A totalidade dos medíocres ignora o inglês ou chega até a se orgulhar de não saber inglês. Pois tenha noção que sem inglês você perde muito. Perde em material de treinamento que é disponibilizado online gratuitamente em inglês, perde em leitura de livros bacanas e material técnico que não é traduzido, perde em oportunidades de trabalho pois o mundo inteiro anda precisando de gente bacana.
  5. Pratique, pratique e pratique! Mesmo que voc√™ esteja desempregado ou nunca trabalhou, pratique e monte um portf√≥lio de projetos e de tudo o mais que voc√™ sabe fazer. √Č errando que se aprende.
  6. Mostre-se! Crie uma presença online bacana o suficiente para que os empregadores saibam que você existe!
  7. Seja humilde. Entenda que dificilmente somos os melhores do mundo em alguma coisa. Assim sendo, aprenda a reconhecer a limitação de suas capacidades e seja honesto sobre elas.
  8. Reconheça seus erros e amadureça. Se alguém da empresa disser que algo que você fez não ficou legal, não leve para o lado pessoal. Reconheça, corrija e aprenda com seu erro. Fechar os olhos para isso é uma sentença de morte profissional.
  9. Saiba que você deve começar por baixo. Provavelmente o pessoal ainda não te conhece. Então, fica difícil você exigir o melhor cargo e o mais alto salário. Aprenda a trabalhar com o que lhe é oferecido e aproveite cada oportunidade para crescer.
  10. Tenha paciência e saiba a hora de pedir aumento ou aumentar o seu preço. Isso demora, mas não é inalcançável. Você vai ter que trabalhar por pouco dinheiro por muito tempo, mas isso vai compensar.

Conclus√£oTem muita vaga sobrando. Tem muita gente med√≠ocre sobrando. Enquanto voc√™ n√£o fizer nada a respeito, a coisa vai continuar assim. Uma coisa que aprendi logo no come√ßo da minha gradua√ß√£o ‚Äď h√° quase quinze anos ‚Äď foi que n√£o existe falta de trabalho para quem √© bom de servi√ßo. At√© o momento, n√£o vi nenhum exemplo para suspeitar que isso n√£o seja uma grande verdade. Outra verdade √© a de que quem √© realmente bom de servi√ßo faz o seu sal√°rio. Novamente, nunca me deparei com nenhuma ocorr√™ncia que contrariasse isso. Ou seja: o apag√£o existe e √© um buraco cheio de oportunidades para quem quer se dar bem. V√£o se dar bem o profissional que souber aproveitar as oportunidades e os empregadores que os empregarem.

Quanto mais você oferece, mais poderá vender

Texto originalmente publicado no site WebInsider

Uma das coisas mais complexas de qualquer atividade de vendas é entender e usar os conceitos de um tripé básico:

‚Äď Saber o que voc√™ est√° vendendo;
‚Äď Saber para quem voc√™ est√° vendendo (ou quer vender);
‚Äď Saber o que a concorr√™ncia faz.

Parece b√°sico, mas uma grande parcela de empreendedores deixa estas informa√ß√Ķes de lado ao colocar suas ofertas √† venda. O resultado n√£o foge muito do esperado.

H√° aqueles que, mesmo ignorando o trip√© antes de come√ßar suas atividades, com o passar do tempo acabam recuperando as informa√ß√Ķes de forma indireta e, aos trancos e barrancos, d√£o‚Äďse por satisfeitos.

N√£o deviam. Afinal, o custo operacional e a perda de faturamento acarretados pelo desconhecimento destas importantes informa√ß√Ķes poderiam dar outro rumo ao empreendimento ou at√© mesmo representar um caminho mais curto rumo aos lucros.

Quando falamos em vendas por cat√°logo, via TV ou pela internet, esse trip√© de informa√ß√Ķes √© mais do necess√°rio, √© imprescind√≠vel. Saber o que voc√™ est√° vendendo √© ter plena consci√™ncia das quest√Ķes t√©cnicas e de todas as caracter√≠sticas daquilo que voc√™ quer que o seu consumidor consuma. Seja um bem ou um servi√ßo.

Entretanto, √© sempre bom refor√ßar: s√≥ saber, n√£o basta. √Č preciso que estas informa√ß√Ķes sejam amplamente divulgadas na hora de oferecer, anunciar ou ofertar a venda. Isso porque √© exatamente este tipo de coisa que o seu consumidor precisa ouvir (ou ler ou assistir) naquele momento de an√°lise pr√©‚Äďcompra para decidir se aceita ou n√£o aquilo que voc√™ quer vender.

Parece, mas não é tão simples. Entenda.

Por mais que se trate de um produto ou serviço que você julgue ser comoditizado ou que as características já sejam amplamente conhecidas pelo seu cliente, você deve ter em mente duas coisas:

Coisa 1: ao usar um canal aberto e de amplo alcance para a divulga√ß√£o e venda √† dist√Ęncia, considere que pessoas que ainda n√£o conhecem estas caracter√≠sticas receber√£o ou acessar√£o sua mensagem de vendas. Seu esfor√ßo n√£o valer√° nada se estas pessoas n√£o souberem corretamente do que se trata aquilo que voc√™ oferece.

Coisa 2: tornando p√ļblicas as caracter√≠sticas daquilo que √© oferecido para a venda voc√™ ser√° capaz de verificar ‚Äď na pr√°tica ‚Äď se as informa√ß√Ķes sobre as demandas do mercado e as a√ß√Ķes dos concorrentes se confirmam.

Saber oferecer é muito importante para saber vender.

Assim sendo, voltemos √†s quest√Ķes relacionadas √† venda pela internet, por cat√°logo ou por televis√£o. Constantemente vemos produtos ou servi√ßos anunciados de maneira infeliz ou mal planejada, a ponto do an√ļncio mais confundir do que esclarecer. Isso implica em perda de vendas.

Procure vender mais. Se a estrat√©gia √© atender as demandas dos consumidores ao oferecer um servi√ßo ou produto adequado √†s necessidades e superior aos concorrentes, √© um desperd√≠cio de investimento em vendas incentivar o consumidor por impulso a pegar o telefone e ligar para saber mais sobre o produto ou consultar num site externo as informa√ß√Ķes b√°sicas que ele precisa. De que adianta voc√™ anunciar se o an√ļncio n√£o est√° completo? O an√ļncio deve responder a todas as perguntas ali mesmo.

A avalia√ß√£o pr√©‚Äďvenda que os consumidores fazem ao assistir um infomercial (ou acessar a p√°gina do produto ou folhear o cat√°logo) precisa ser conclu√≠da para que a decis√£o de compra seja real.

Apenas suscitar o interesse n√£o √© o suficiente para convencer uma grande parcela de consumidores e acaba por colocar em descr√©dito as informa√ß√Ķes passadas. Seja por estarem incompletas ou por serem transmitidas de uma maneira que n√£o atenda suas expectativas.

Experimente. Forne√ßa a maior quantidade de informa√ß√Ķes que voc√™ puder para aqueles que recebem suas ofertas e veja se a quantidade de pedidos muda.

Web Advertising

é sempre bom perceber o que está rolando à volta em web advertising. apesar de muita baboseira, a gente acaba achando umas coisas bem supimpas.

a √ļltima que eu achei foi um webad em¬†rich media¬†veiculado no¬†yahoomail¬†por¬†uma empresa de controle de pestes (cupins). nada clich√™ do tipo os cupins roendo o site nem nada. . . o que os caras fizeram foi uma iniciativa batuta que n√£o te for√ßa a sair do site que est√° para saber mais sobre o assunto. voc√™ s√≥ sai se decidir realmente visitar o ‘site de verdade’ da empresa. do contr√°rio, voc√™ se aprofunda bastante sobre os servi√ßos por ela prestados numa esp√©cie de hot-site que fica ’embutido’ no site do veiculador do ad.

ok, eu admito, n√£o √© uma novidade in√©dita. ¬†j√° teve gente fazendo isso. mas o que √© bacana √© perceber que s√£o poucas as pessoas que pensam neste tipo de publicidade interativa. o an√ļncio que interage de verdade com o usu√°rio (sem som, √≥bvio). sem essa de apenas um clique e voc√™ vai pro site do anunciante. aqui (como em outras iniciativas baseadas em jogos) voc√™ pode interagir com a pe√ßa antes de decidir se vai ou n√£o descarregar o site da empresa no seu pc. supimpa, n√©?