RTs are endorsements!

With all this hype about Elon Musk buying Twitter, obviously a lot of people ended up going back to the site and seeing what it is… I myself am one of those people who went back to Twitter after Elon Musk bought the platform.

One of the things I did when I got back was to get the news about the transaction. Hence, it was inevitable to find profiles of journalists who were talking about the case and it didn’t take long for “RT is not an endorsement” to appear (or even “RT ≠ endorsement” for those who know how to copy-and-paste or even understand Unicode ) in the bios of some of them. This statement is easy to find; especially in profiles of journalists. I understand it to be a way for them (mainly journalists who cover the universe of politics) to exempt themselves from any responsibility associated with RTing a controversial message. But that always leaves me puzzled; even more so when it’s in a tech journalist’s bio. What pisses me off is that it’s simply not true. RT is a form of endorsement, yes. It’s in the nature of functionality. Just saying this in your profile does not resolve the fact that you are endorsing a message by retweeting it.

I explain by showing two (of several) things that happen when we simply retweet (RT) a message without context.

1 – Message amplification

When you RT any post on Twitter, the first thing that happens is that you amplify the original message for your followers (or for a fraction of them, for that matter… but still, it’s an amplification of the message). Making a message – even if you disagree with it – reach your followers is a way of endorsing the content of the original post. Put yourself in the position of a person who follows you. Suddenly that person following you sees a message in their feed with something you retweeted. Without any context, that RT signals to the person reading the tweet that you agree with it to the point of replicating the message to your followers. In other words: RT is endorsement.

2 – Platform signaling

Another thing that happens when we RT without any context associated with it is to signal to the platform that that content is of interest to you. Obviously the RT already signals to the platform that that content is of interest before anything else. But when you RT and don’t add any context, it’s you signaling to the platform that your profile is interested in that content and is recommending (endorsing, as I said above) that content to your network. If you don’t agree with something and RT that something, you’re sending the wrong signal to the platform. Then two things can happen as a result of this. The first is for you to signal to the platform that that content may deserve some attention. That’s normal. But doing that with content you don’t like is shooting yourself in the foot. You will be helping the platform to be a bad place for everybody. The second is you help the author of the original content to be promoted by the platform to people including your audience. This seems to be included in the previous question, but notice that by signaling this to the platform, that original profile, even if it is someone you don’t agree with at all, you are informing the platform that that content may be of interest to you , your audience (your followers) or people who look like you. I mean, nothing cool. By RTing a post and not adding any context, you are endorsing the original post. Understand it!

How to do it?

An important thing to do is to provide proper context to the RTs you give. By doing this you are letting your audience know that you disagree with what you are retweeting, you are explaining why you disagree and you are also (very important) associating the words in their context with the RT. This way you also teach the platform that that RT is associated with those words and this can help the platform to understand the reason for the RT and not necessarily understand that that original profile may be of interest to your audience.

Therefore, it is always good for you to give the context when you are going to replicate a message. Put your observation. This helps your audience (your followers) and also helps teach the platform that what is on your profile is associated with the words you used in your RT.

If you’ve read all of this and haven’t seen anything new, good for you! 🙂
However, this is likely not part of their repertoire (yet) and was new. In this case, the reason for using the video The machine is us/using us in my Communication and Digital Culture classes in the middle of 2022 is justified. It is that even though it was made there in 2007, the concepts prevail there.

Furthermore, there are many people who work with social media / digital communication who do not associate our actions on the platforms and what they learn with and about us.

Obviously, in the same way that platforms learn from us, they also learn that the association we make between our profiles and messages that we replicate (RT) without context are not necessarily affinity associations. But it’s also nice to understand that until that happens, the platform needs to know you and your interaction habits there. That comes with time. So, you need to be a very frequent user of the platform for this to have already happened. And it’s also nice to keep in mind that this learning about platforms only solves half of the issues I brought up in this post. The other half (confusing your audience) is not solved with this machine/platform learning. Your followers will be confused when they see something you’ve RTed without providing context in their feeds.

Now that you know this, make a commitment not to replicate a message without giving the proper context associated with it. Help your audience (and the machines as well) not get confused about your intentions. Believe me, not confusing the machines now can be useful to you in the future, when they take over. 🙂

O desafio das plataformas, dos governos e das sociedades

O texto publicado no The Intercept Brasil do dia 31 de março reflete sobre o caso de o YouTube vetar o impulsionamento do vídeo do episódio nº 139 do podcast Tecnopolítica.

Tanto o texto quanto o vídeo são bastante interessantes e eu recomendo que você preste atenção no que está lá.

Assistindo o vídeo, fui me lembrando de pontos que já haviam sido indicados em texto publicado lá em 2019 que versa sobre as necessárias reflexões acerca das plataformas sociais e o que fazemos com elas. Embora o texto de 2019 aborde principalmente o Facebook, acredito que a reflexão possa ser tratada para entendermos o que ocorreu e foi relatado no vídeo/podcast do Tecnopolítica e no texto do The Intercept Brasil.

Adotamos as plataformas sociais como parte importante das dinâmicas dialógicas que ocorrem na internet. Fazemos uso destas plataformas como se fossem parte de estruturas sociais inerentes às forças dos interesses financeiros de corporações. Só que elas não são. As plataformas servem a interesses das empresas que as mantém.

Estamos tão acostumados a levar nossas vidas considerando que “todo mundo está no twitter / facebook / youtube” que a gente se esquece de que estes espaços não são espaços públicos. Como dito, são aplicações privadas que pertencem a instituições comerciais que as exploram esperando um benefício financeiro. Como tais, seguem normas e atuam de acordo com os interesses das empresas que as controlam.

Isso quer dizer que as plataformas e empresas são essencialmente malvadas e que devemos evita-las? Obviamente não. Se não fossem as plataformas e as mídias sociais, muitos dos benefícios e movimentações sociais que presenciamos nos últimos anos não teriam ganhado a dimensão que ganharam ou mesmo teriam ocorrido.

Um longo caminho a seguir.
Não devemos observar as plataformas como isentas ou neutras. O mito da neutralidade deve ser definitivamente derrubado (este texto do pessoal do CHT é bem interessante neste sentido). Precisamos vencer essa ideia / utopia de neutralidade (seja de veículos de imprensa, governos e, claro, corporações).

O passo seguinte será vencer a ideia de que “já que não são neutras, estas entidades são malvadas”. Também não é bem assim. O importante é que nós – como sociedade – consigamos enxergar estas entidades como o que elas realmente são: a materialização ou operacionalização em ações de interesses de grupos de pessoas.

Nesse sentido, é de se esperar que governos, em tese, venham a representar interesses mais amplos, que visem o bem de todos aqueles que são representados por eles. Interesses específicos, vinculados aos ganhos financeiros são o que move as ações das empresas. Sabendo que são empresas que criam e mantém plataformas de mídia social, isso fica mais simples. De igual maneira, são empresas que detém o controle e pautam as ações de empresas de comunicação e mídia.

Concluindo?
Estão todos defendendo interesses. Como cidadãos podemos interferir no processo escolhendo bem os nossos representantes legislativos e executivos que vão trabalhar para defender nossos (sociedade) interesses, criando as regras e trabalhando para garantir a execução e o cumprimento destas regras.

Isso leva ao fato de que cabe aos legisladores criarem os regramentos que pautarão e regularão as ações das empresas e os governos atuarem no sentido de garantir que sejam cumpridas. No sentido específico do que venho tratando aqui, a regulação vale para empresas de mídia e comunicação e, claro, para as plataformas sociais. A regulamentação não significa e nem implica em censura ou mesmo cerceamento de liberdades. Entendo que devem ser mecanismos que garantam um funcionamento mais claro das atividades nas quais estas instituições estão envolvidas.

Se a gente escolher bem os legisladores e os nossos representantes no executivo, teremos (sociedade) mais chances de um futuro mais bacana neste aspecto.

No outro ponto estão as empresas e entidades comerciais que, no momento que o conjunto de regramentos estiver estabelecido e em operação, devem adequar sua operação e desenvolver políticas internas de trato das questões que proporcionem impactos para as sociedades em que atuam.

Se não existirem os conjuntos de normas e regras que instituam as fronteiras das ações das instituições comerciais, estas criarão as suas próprias regras, ocasionando em desdobramentos que não necessariamente agradarão ou mesmo atenderão os interesses das sociedades. As entidades comerciais, por sua vez, precisam atuar de forma a conciliar os seus interesses com aqueles das comunidades que atendem.

Muriel Deacon

Muriel Deacon é uma personagem da série Years and Years. Se você não assistiu a série, faça a si mesmo este favor e assista. São apenas seis episódios. Te garanto que vai valer a pena.

A série mostra um futuro possível muito próximo. Imediato. É assustadora a semelhança com o contexto atual que vivemos. Como muitas produções da BBC (Black Mirror sendo o exemplo mais famoso) é uma crítica ao nosso presente.

O trecho acima é retirado do penúltimo episódio. Eu acho que ele é bem bacana para nos ajudar e nos motivar sobre decisões importantes que precisamos tomar para que evitemos chegar a um futuro tão estranho quanto o que a série mostra.

Como o meu contexto atual é o de olhar as plataformas como objeto de estudo, minha interpretação deste monólogo se encaixou fortemente com a questão de como precisamos sair delas o quanto antes para podermos evitar um futuro horrível. As indicações de que as plataformas agem ativamente para nos prejudicar como cidadãos estão aí. Só não percebe quem não quer. A edição de hoje da “The Interface” me motivou juntar o monólogo da Muriel com esta reflexão e postar estas linhas desordenadas aqui.

Precisamos sair das plataformas o quanto antes. Facebook e Twitter sendo os primeiros dos quais precisamos sair. Isso é urgente e precisa ser feito pela maior quantidade de pessoas possível. Se seguirmos o uso que fazemos dessas plataformas, a tendência é uma degradação exponencial.

Andrew Keen falou disso.

Bob Hoffman falou disso.

Zeynep Tufekci falou disso.

Jaron Lanier falou disso.

Eli Pariser falou disso.

Geert Lovink falou disso.

Shoshana Zuboff falou disso.

Só não vê, quem não quer. Instagram, Facebook, WhatsApp e Twitter devem deixar de fazer parte de nosso cotidiano. O quanto antes. E eles são apenas os primeiros que devem sair. Outras plataformas precisam ser eliminadas ou ter seu uso readequado. LinkedIn e YouTube se encaixam nesta segunda categoria.

Enfim. Sei que parece mais um rant. E é. Mas é um rant que precisa ser observado e seguido. Isso está fazendo mal para as pessoas. Para nós.

Muito chata esta “tara” por negócios que (apenas) dão lucro

Não que eu seja contra ganhar dinheiro, obviamente. O que me chateia é essa tendência a valorizar – por parte de quem reporta sobre tecnologia e, como consequência, por parte dos leitores dessas publicações e dos usuários em geral – apenas iniciativas tocadas por empresas que visam o lucro como soluções viáveis para os problemas das pessoas. O exemplo mais recente é o Parler (que foi reportado pelo Inside Social como sendo uma alternativa para o Twitter).

Por quê precisamos de uma alternativa ao Twitter?

A resposta é simples (mas não pequena). . . pelo motivo de aquele espaço ser um ambiente tóxico, repleto de contas falsas e discurso de ódio, onde as conversas não fluem como poderiam porque há manipulação algorítmica do alcance orgânico das postagens (em outras palavras: nem todos os seus seguidores visualizam tudo o que você publica lá é, obviamente, você não vê tudo o que as pessoas que você segue publicam. . . ) e, em breve, teremos os diálogos potencialmente manipulados com respostas escondidas, o que pode -potencialmente – polarizar ainda mais as posições. Mas enfim. . . por isso que eu acho que é importante que existam alternativas ao Twitter. O Parler é apenas a mais nova dentre as possibilidades controladas por empresas com fins lucrativas. Recentemente vimos o Gab (que, tal qual está sendo reportado sobre o Parler, foi tomado por supremacistas brancos e o pessoal “de bem” da extrema direita). Enfim. . . precisamos que o diálogo flua e que os ambientes sejam saudáveis. Por isso precisamos de alternativas ao Twitter. O que eu acho é que não necessariamente esta alternativa será proporcionada por uma empresa que vise o lucro. Ponho isso porque entendo que esta busca pelo faturamento acaba levando todo mundo a cometer os mesmos erros que as plataformas que hoje existem: por precisarem de $$, manipulam o feed e permitem a criação de contas falsas e robôs. Isso leva a saúde de uma plataforma ladeira abaixo.

A alternativa já existe

Então. Acho que já existe uma excelente alternativa ao Twitter. Ela se chama Mastodon. É open source e federada. Nela, não há manipulação algorítmica do feed e os diálogos podem fluir. A única coisa que me inquieta lá é que é possível criar contas falsas. Acho que o Mastodon é a alternativa perfeita ao Twitter. O fato de ser descentralizado é muito bacana. Podemos criar uma instância de Mastodon privada e nela só deixarmos se cadastrar pessoas que existem de verdade. . . ou então controlar o ambiente expulsando aqueles que tragam discurso de ódio ou mentiras. . . enfim. Eu acredito que é uma opção infinitamente melhor. Mas o pessoal gosta de reportar e valorizar casos de empreendedores que desenvolvem produtos que são voltados para seu enriquecimento. Uma pena. /rant

Sobre o valor das redes

Eu pretendia fazer uma longa reflexão sobre o assunto por aqui, mas acho que se eu for direto ao assunto, a chance de ser mais eficiente na mensagem é maior.

Pois bem. Muito se argumenta sobre o valor dos serviços de redes sociais como o Orkut, o Facebook, LinkedIn e – mais recentemente – o Google +. Até o Twitter, que nem ferramenta de rede social é, recebe atenção neste tipo de discussão. No Brasil, estas argumentações sempre são acompanhadas de questões como “A orkutização do X ou do Y” (sempre num tom pejorativo).

É legal pararmos um pouco e discutirmos isso tudo. Inclusive esta falácia da tal orkutização.

Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que o que mais vale nestas ferramentas é o poder de visualizar as redes das pessoas. Isso, pura e simplesmente, já justifica a existência destas ferramentas e ajuda a explicar muito de seu valor. Por exemplo: se não fosse o Facebook (ou Orkut ou Google + ou qualquer outra ferramenta que você quiser), você não saberia a lista completa das pessoas com as quais eu me associo. Se você me conhece pessoalmente, as chances são de você ter apenas uma ideia de quais são as outras pessoas que eu conheço (porque eu eventualmente falei de algumas delas ou porque você já me viu conversando ou trabalhando com alguém). Nessas ferramentas, você pode ver os meus demais contatos de uma maneira bastante completa. Ou seja: você pode ver – de uma forma organizada e sem precisar me acompanhar durante as 24 horas do dia – todas as minhas conexões; não só aquelas que você teve a sorte de ver quando estava compartilhando comigo um lugar e um momento específicos. Isso transfere a ferramenta o valor que antes estava centrado no contato em si.

Obviamente, além dos contatos, você vai ter uma boa noção das coisas que eu gosto e daquilo que eu faço (o valor destas ferramentas está aqui também, mas neste post, me concentrarei na questão das associações).

Assim sendo, a ferramenta (e as informações que estão registradas nela) valerá mais se as redes que ela documentar forem verdadeiras. Por isso, o Orkut ainda vale muito e o Facebook vai continuar valendo bastante; mesmo com a chegada de um Google + da vida ou de vários outros. Na real, todas estas ferramentas têm o potencial de valer um bocado, desde que as informações que forem registradas sobre as redes das pessoas forem reais. Assim sendo, por mais que as classes C, D, E ou Z passem a usar uma ferramenta ou outra, seu valor não cairá por causa disso. Ele cairá se as informações ali representadas não forem reais. Assim se desfaz a falácia da orkutização. Este tom pejorativo simplesmente não existe. O que existe é um “complexo de classe média” que devemos lutar para extinguir.

Ou seja: a única maneira de você contribuir de verdade para um retrocesso no valor da rede como um todo é se associar a uma pessoa que não é sua amiga de verdade. Cada vez que você faz isso, está ensinando uma mentira para a ferramenta e a rede que é representada – por causa desta mentira – vale um pouco menos.

É por isso que no Facebook, pessoas públicas preferem usar páginas e não perfis pessoais para fincarem seus pés na rede. E é por isso que o Google + (com seu esquema assíncrono de círculos) inova.

Em tempo: é por isso também que estou usando mais e mais o Google +. E acho que ele vai acabar por substituir toda a minha presença nestas ferramentas. Afinal, no LinkedIn, já foram tantas as pessoas que nunca ouvi falar na vida que me adicionaram que a minha rede lá não vale mais nada. No Facebook, idem. O Orkut já não uso há tempos. Sobrou apenas o Google +, que uso e procuro manter bem atualizado com círculos bem definidos e contendo pessoas que efetivamente fazem sentido estar lá.

Enfim… Antes de profetizar que a ferramenta X vai matar a ferramenta Y, os oportunistas deslumbrados de plantão precisam estudar um pouco sobre redes sociais… E descobrir que o valor de uma rede está – além das pessoas – nas conexões destas pessoas e nas informações que elas colocam nestes serviços.

Abandonando a mediocridade

Este é o segundo de dois posts muito especiais resgatados dos arquivos do blog. Eles tratam do apagão de mão-de-obra qualificada no Brasil. Em especial no setor de comunicação e tecnologia. São 05 textos que consolidei em dois posts. Originalmente foram publicados em julho de 2010.

Abandonando a mediocridadeParte 01 – Produção Web

Aproveitando o momento de choque de realidade proporcionado pelo post sobre o apagão da mão-de-obra, imagino que seja interessante para muita gente saber como reverter a situação atual e deixar de ser um estudante ou profissional medíocre. Começarei pela Produção Web.

Então…  O Sérgio e o Dito deram algumas dicas nos comentários do post. Darei sequencia a elas e procurarei proporcionar algum tipo de auxílio a quem quer sair desta desconfortável posição.

Em primeiro lugar, é legal verificar se você faz parte do contingente de estudantes / profissionais medíocres. Para tanto, faça algumas ponderações:

  • Você já recebeu alguma negativa em um processo de seleção de alguma empresa sem motivo aparente ou com a justificativa de que sua qualificação ou conhecimento estão aquém do demandado para a vaga? Não vale aqueles casos em que você mandou um portfólio ou CV e a empresa nem respondeu. Existe muita empresa mal-educada que não dá retorno aos candidatos. Nestes casos, não necessariamente a questão é com o candidato…
  • Você acha que as exigências listadas nas vagas ofertadas são muito altas dentro da sua área de formação? Ex: Se você quer trabalhar com produção, acha que é muito abuso da empresa querer que você saiba PHP ou domine JavaScript?
  • Você desconhece mais do que 25% dos itens exigidos nas descrições das vagas para as quais você pensa em se candidatar ou se candidata? Ex: Você não sabe o que é JQuery, Tableless, APIs…

Se você respondeu “sim” a pelo menos uma dessas perguntas, uma mudança de atitude profissional é imperativa pois, necessariamente, você se encaixa naquela categoria de profissionais / estudantes e talvez seja esta a causa de sua posição atual.

Mas não tema… Há sempre o que fazer para mudar a sua situação. Abaixo, algumas coisas importantíssimas.

  1. Capacite-se em inglês. Faça urgentemente um curso e trate de dominar o idioma. Já disse um milhão de vezes e direi enquanto achar suficiente. Antes de sair fazendo cursos específicos ou pós-graduações, faça um curso de inglês. O conhecimento deste idioma será importante para você tirar melhor proveito de qualquer curso que quiser fazer.
  2. Busque conhecimento em fontes gratuitas online. O Dito mencionou o Lynda, mas tem também o php. net, o w3schools, o próprio w3c e o site do Maujor (para não dizer que não mencionei ninguém que propaga informação bacana para capacitação em português). Nestes sites há muito conteúdo bacana para você aprender muito sobre HTML, JavaScript, CSS e PHP (ferramentas muito importantes para quem quer trabalhar com Produção Web). Faça os tutoriais, tenha paciência e dedique-se… É compreendendo seus erros (mesmo os exercícios mais básicos reservam desafios) que você aprenderá de verdade.
  3. Compre um livro. Recomendo o do Maujor e o dos Deitel. São abrangentes o suficiente para ajudar quem já conhece um pouco e também quem não conhece nada. Adicionalmente, dê uma olhada nos títulos da editora Novatec (vale sempre explicar que eu não estou recomendando nada em troca de dinheiro ou de qualquer outra coisa). Eles têm bons títulos. Coma estes livros. Entenda o que está lá. Estude, leia e releia.
  4. Dedique-se e pratique! Exercite-se bastante. Construa os exemplos dos livros e depois faça os seus próprios… Coloque o que você fez no ar em um site seu. Apareça.
  5. Quando você começar a dominar o assunto, mostre o que você sabe. Discuta sobre o assunto num blog e mostre o que você sabe fazer em um site seu. Além de ajudar mais gente, você mostrará o quanto sabe e colocará a sua cara a tapa. Discuta suas ideias e mostre do que você é capaz.
  6. Como o Sérgio falou, pense diferente. Quando você começar a dominar algum assunto, pensar fora da caixa será natural. Exercite esta capacidade e mostre do que você é capaz. Pense em soluções alternativas e caminhos mais fáceis que coloquem em prática o que você aprendeu.
  7. Por último, volte a se candidatar as vagas que antes eram impossíveis para você. Aposto que os resultados começarão a ser diferentes.

É claro que esta é uma lista pequena e muito simplificada, mas é um ótimo começo. Tenho certeza que depois de chegar nas etapas 4 ou 5 você perceberá mudanças sensíveis em sua capacidade profissional e em sua postura.

Não tenha dúvidas de que você só terá a ganhar estudando, se capacitando, adotando uma postura humilde e pensando de forma diferenciada. Não há contra-indicações.

Bem, espero ter ajudado… Em breve, novas dicas para quem quer se aventurar em outras carreiras ligadas a comunicação e tecnologia.

Parte 02 – Design de Interfaces

Dando sequencia às reflexões sobre o apagão da mão-de-obra qualificada – especialmente no mercado de comunicação e tecnologia – aventuro-me neste post a falar sobre o design de interfaces.

É incrível perceber, gostaria de ressaltar antes de começar o post em si – como é comum vermos hoje em dia (em pleno ano de 2010) que tem gente que chama o designer de interfaces de webdesigner… Questãozinha que me dá até preguiça… Mas é legal deixar claro que não se trata da mesma coisa. O que se chamava no passado de webdesigner não existe mais hoje; era aquele profissional que, sozinho, dava conta de toda a produção de um site. Hoje, feitas as devidas adaptações, o webdesigner estaria mais para um gestor de projetos do que para um cara que desenha interfaces em si. Este cara, o que desenha as interfaces, e o seu trabalho são os pontos centrais de minha reflexão de hoje.

Falando sobre este trabalho, então, não é difícil percebermos que tem muita gente querendo trabalhar com isso. Entretanto, novamente temos aqueles grandes agrupamentos de categorias (ou capacidade / qualidade) dos profissionais…

  • Uma minoria ínfima tem talento e é capaz de propor algo novo e bacana.
  • Um grande contingente simplesmente replica o que vê e tem certo domínio da ferramenta para execução e, com isso, mantém-se no mercado sem muito destaque.
  • Um contingente ainda maior que o anterior é de gente ruim de serviço.

Como todo mundo quer sempre subir um degrau nesta escala de qualidade profissional, espero aqui ajudar com algumas dicas. De quebra, imagino que ajudarei algumas pessoas a abandonarem o estado de mediocridade profissional e garantir seu lugar ao sol. Obviamente seria um delírio achar que todo mundo deveria (ou conseguiria) se encaixar no estágio avançado de propor coisas novas e se dar bem com isso. Entretanto, é legal sabermos que às vezes a gente vai se encontrar quase lá. E comportar-se de acordo com isso é importante; especialmente para não levarmos grandes rasteiras da vida.

  1. Entenda que ser um bom designer de interfaces é algo que vai além do domínio de uma ferramenta ou outra. Você deve compreender o que é design, ter boas noções de composição, equilíbrio e de cores. A ferramenta em si é, como já disse, secundária. Saber o que deve ser feito é infinitas vezes mais importante do que saber o que cada botão faz num software. Cuidado para não entender errado… Não quero dizer que você não deve dominar as ferramentas, mas sim que apenas dominá-las não faz de você um bom designer de interfaces. Para entender isso, há algumas boas fontes, on e offline. Os livros do Modesto Farina, o do João Gomes Filho e também o do Felipe Memória podem ajudar bastante nisso. O do Felipe, inclusive, deve ser lido por quem quer trabalhar com planejamento e com experiência também. Mas disso falaremos num momento mais adiante. Dentre as referências online, a Communication Arts é uma excelente pedida. Confesso que tenho um pouco de preguiça daqueles sites que reúnem uma listagem de sites bonitos. Isso porque geralmente não se vê muita criação, mas sim replicação…
  2. Colecione boas referências. Navegue bastante, leia bastante, assista bastante, preste atenção e tudo o que você vê nas ruas e fora delas. O tempo todo. Tudo pode ser uma boa referência. Mas a coisa não para por aqui. Você deve aprender a tratar as referências como referências. Policie-se para não sair por aí replicando as coisas que vê. Este é um grande desafio.
  3. Compreenda que desenvolver interfaces demanda conhecimento daquilo que você vai fazer, mas também conhecimento do público que vai usar aquilo que você vai fazer e – obviamente – das inclinações estratégicas da entidade para a qual você vai fazer aquela interface. Procure, então, conhecer o usuário, suas características, costumes e demandas, bem como aquilo que os concorrentes da entidade que lhe contratou para desenvolver aquela interface fazem e quais são os objetivos desta entidade tanto no que se refere a esta interface em si quanto no que se refere as estratégias mais abrangentes da entidade.
  4. Tenha em mente que desenvolver interfaces é uma etapa num processo maior, que acontece depois que ensaios visuais foram feitos e que pesquisas foram conduzidas e antes que as soluções sejam efetivamente construídas. Levem em consideração, então, que você deve saber trabalhar em grupo, se envolver em etapas anteriores e envolver produtores e programadores que colocarão as mãos na massa em etapas posteriores. E que fique bem claro que todos estão trabalhando para atingir um objetivo comum. Este tipo de envolvimento é bacana pois reduz riscos de retrabalho, garante o alinhamento do projeto e minimiza as chances de algo dar errado. Se você é um bom profissional e se vê em uma empresa que não pratica estas boas práticas, tentar implementá-las é uma excelente demonstração de sua capacidade e potencial. Se você não é um bom profissional, nem perceberá que é uma falha quando isso não acontece. E se você é um profissional medíocre, vai reclamar quando alguém da produção ou do planejamento der algum pitaco que macule a sua obra de arte. Pense nisso.
  5. Desenvolva suas capacidades no uso das ferramentas. Esta dica é a última justamente pois penso que este domínio, embora seja uma maneira bem fácil e eficiente de as empresas filtrarem os bons profissionais, não deve ser o seu objetivo final de desenvolvimento profissional. Guarde isso: todo bom designer de interfaces domina as ferramentas. Mas nem todos os que dominam as ferramentas são bons designers de interfaces. Uma coisa que recomendo a todos é evitar cursos puramente voltados ao uso dos software. Normalmente estes cursos são pouco produtivos. Costumo recomendar cursos aplicados a objetivos ou procedimentos específicos e também a utilização forçada… Algo que mistura a busca por referências, o aprendizado online por meio de tutoriais e o desenvolvimento de capacidades a partir do exercício forçado. pegar uma composição bacana e se propor a replicar aquele efeito que você achou legal é um excelente exemplo disso. É o famoso “aprenda fazendo”… Costuma ser mais eficiente do que um curso para saber quais são os atalhos da ferramenta.

É claro que esta é uma lista bem curta. Se você procurar um bom designer de interfaces, como o Herbert Rafael ou o Daniel Negreiros, eles te falarão muitas outras coisas bastante eficientes e mais específicas. De qualquer forma, imagino que estas cinco dicas listadas acima podem te ajudar a sair de um estado de mediocridade profissional e colocá-lo no rumo de um futuro mais bacana.

Parte 03 – Atendimento e GP

Então você se encaixa numa categoria que quase se gaba poor não ter que dominar código, saber fazer layouts e ainda assim quer trabalhar no crescente e promissor mercado de comunicação e tecnologia. Good for you! Lembre-se, no entanto, que, embora bastante comum em empresas de comunicação offline, um atendimento em empresas de tecnologia e comunicação não tem o direito de ser acéfalo

Saiba que é muito fácil você acabar sendo demitido(a) ou nunca contratado(a) se achar que dá para permanecer sem saber como as coisas funcionam ou o que é possível fazer ou não em um projeto de comunicação e tecnologia. Claro que tem gente que vai achar que é muito mais fácil desempenhar este papel (o de atendimento) num mundo onde as tecnologias mudam com uma rapidez absurda e que os profissionais responsáveis pela execução dos projetos ralam como loucos. Entretanto, a verdade não é bem essa.

Um primeiro motivo para esta não ser uma verdade é que existem empresas que insistem em misturar o atendimento com o gestor de projetos (GP) e isso acaba por tornar a vida deste profissional um caos. Entendo que é muito complicado manter uma estrutura grande em vários casos, mas quando não é possível ter dois profissionais distintos para estas funções, deve existir uma contra-partida salarial e de carga de clientes. Então, a primeira coisa a fazer é saber dimensionar a capacidade de gerenciamento de contas que um profissional deve desempenhar na empresa. Esta quantidade não deve ser muito grande pois isso facilmente gerará decepção por parte dos clientes e isso nada é bom para os negócios.   Outra coisa importante que empresas costumam negligenciar é que este profissional – por ser muito exigido e desempenhar papel importante nos projetos – deve ser remunerado de forma adequada. Se a empresa quiser pagar pouco, terá sempre que se contentar com acéfalos. Aí, não há do que reclamar. Cada um cava sua cova.

Tratadas as questões estrutural e de condições de trabalho (que são de responsabilidade das empresas), vamos ao que é demandado deste profissional. Como já disse, muita gente acha que este é o trabalho mais “mamata” da empresa, mas não é por aí. Este profissional deve ter um bom conhecimento de tudo o que é possível ser feito, de todas as tecnologias e possibilidades de atuação existentes e ser um excelente comunicador e intermediador de relações. De nada vale um atendimento que funciona apenas como um leva-e-traz de demandas por parte do cliente e de respostas por parte da empresa. Este profissional deve ser capaz de – quando no cliente – saber responder o que a empresa dá conta de fazer, ter boa noção de prazos e capacidades e também ser capaz de frear as viagens do cliente, passando a ele um panorama real de tudo o que será feito. Do lado da empresa, ele deve ser capaz de representar o cliente ali, junto aos profissionais de planejamento e de produção. Ele deve conhecer o cliente muito bem para saber – antes de apresentar alguma proposta – se aquilo vai ser aprovado ou não tem chances. Sua importância é vital pois é ele quem representa a empresa junto ao cliente e também representa o cliente dentro da empresa. Viu só como este profissional é importante? Se for um acéfalo, a empresa estará dando um tiro no próprio pé!

Como se não bastassem as atribuições e características acima descritas, há empresas (e não são poucas) que ainda empilham nas costas destes profissionais a função de gerenciar projetos. Como disse, não acho que isso é legal, mas… Não sou eu quem regula o mercado. Assim sendo, vamos a algumas características imprescindíveis que um gestor de projetos deve ter. Além de ter as boas noções de prazos, capacidades, possibilidades e um bom conhecimento do orçamento e das diretrizes do projeto, este profissional deve ter uma excelente noção de tempo para bem planejar as atividades que serão desempenhadas. Ele deve ser o responsável pela montagem de um cronograma válido (Este papo de que “nenhum cronograma é respeitado” é coisa de gente ruim de serviço. Não é para me gabar, mas em meus cinco últimos trabalhos, me vi encurralado com um cronograma desumano, mas respeitei todos os prazos que me foram impostos e entreguei tudo o que me pediram nas datas combinadas. E olha que não eram trabalhos que dependiam apenas de mim…)  e de cuidar para que este cronograma seja cumprido. Ele deve saber alocar recursos e profissionais dentro da empresa e cobrar o que for necessário ser entregue pelo cliente.

Além disso tudo, este profissional tem papel fundamental no planejamento da solução. Sem que tem empresa que ainda empilha mais esta função ao profissional, mas aí é demais. Este tipo de coisas simplesmente não funciona e quem faz isso, em minha opinião, tem mais é que se dar mal mesmo. Empilhar três funções é forçar demais a barra. O ideal é que sejam três profissionais distintos (atendimento – GP e Planejamento). Empilhar duas funções (Combine o empilhamento como quiser) ainda vai. Mas três, é demais.

Donos de empresa e profissionais, lembrem-se de que a ganância é a ruína do homem. Se você quer ganhar mais e contratar menos gente, isso terá consequências. Se você quer ganhar mais e acumular funções, saiba que isso terá consequências…

Entretanto,  o profissional que gerencia os projetos deve ter um excelente trâmite tanto junto ao planejamento quanto com a direção de arte e a produção; sem mencionar o cliente.

Novamente pergunto, retoricamente: viu como este profissional não pode ser um acéfalo? Se você quer ser este profissional, saiba que ele ganha muito bem (ou pelo menos deve ganhar) e que o bônus não vem desacompanhado de ônus (normalmente é o cara que mais se estressa durante um projeto, e é o que menos pode demonstrar isso).

Para não ser um profissional medíocre, então, um resumo de qualidades a perseguir:

  1. Não seja um ignorante digital. Conheça tecnologias, possibilidades e capacidades. Entenda de conceitos novos e saiba que você sempre será demandado por parte do cliente para explicar o que deve ser feito e os motivos de tal coisa ser feita de um jeito ou de outro. Você deve ser capaz de prometer entregar algo que a sua produção consiga fazer.  Saber falar a língua do cliente e também a da produção é primordial. Os pré-requisitos não são poucos.
  2. Ter um excelente jogo de cintura. Você vai ter que lidar com prazos apertados vindos do cliente e muitas vezes empurrados para a produção. Você vai ter que agradar ambos. Boa capacidade de comunicação e ser uma pessoa que se relaciona facilmente com os outros são importantes para este profissional.
  3. Saber que você deverá ter conhecimento mais do que básico de planejamento, direção de arte, produção e – claro – gestão de projetos. Este conhecimento não é técnico necessariamente, mas sim do que consistem estas atividades. Você sera muito cobrado e cobrará muito. É preciso ter conhecimento para isso.
  4. Lembre-se: você representa o cliente na empresa e a empresa no cliente. Aprenda a agir profissionalmente e de maneira completa. Conheça bem o cliente e também a empresa.  Saiba gerenciar expectativas e cobranças.
  5. Por último, aprenda que é importante ser uma pessoa organizada é algo mais do que imprescindível para desempenhar estas funções. Se você perder o fio da meada, muita coisa ruim vai acontecer com seu projeto, seu cliente e, consequentemente, com seu emprego.

Bem, espero que estas dicas ajudem você profissional e também você que tem uma empresa; afinal, não é só responsabilidade do empregado responsável por estas funções fazer as coisas andarem.

Parte 04 – Planejamento

Post rapidinho para dar sequência aos apontamentos de soluções para o apagão da mão-de-obra qualificada.

Um profissional de planejamento medíocre que trabalha com comunicação e tecnologia é aquele que já tem o site / produto / ação completamente planejado enquanto o atendimento lhe repassa o briefing. É aquele profissional que acha que um microsite (uma aberração também chamada de hotsite) resolve qualquer problema de lançamento de produto e acredita no mantra de que o importante é “gerar buzz” (seja lá o que isso queira dizer). Ou seja: um profissional de planejamento medíocre é aquele que trabalha com soluções pré-fabricadas e não entende (ou acha que não precisa saber) as necessidades dos usuários e de seu cliente. Suas propostas não inovam e nem se modificam. E o mais grave: ele acha que sabe algo. E isso é muito perigoso!

Para ser bem direto, se você se enxergou em alguma(s) das afirmações sobre um profissional de planejamento medíocre apresentadas acima, eis algumas dicas para você:

  1. Seu trabalho não acontece dentro de quatro paredes.  Saia da sua sala e vá para a rua. Conheça o usuário que vai se beneficiar daquilo que você está fazendo (ou planejando). Conheça as reais necessidades do cliente que te contratou. Converse com ele. Procure entender o que deve ser bom para estes dois “stakeholders” em especial. Ganhar um prêmio de criatividade deve ser uma consequência e não um objetivo. Pense que seu objetivo é fazer algo que seja apropriado para as necessidades do usuário e que atinja os objetivos do cliente. Observe os concorrentes e aprenda a aproveitar o que há de melhor e evitar replicar o que há de ruim nestas iniciativas. Pesquise antes de começar a apontar soluções baseadas em sua “experiência”. Aprenda a ensaiar e a testar antes de apresentar uma solução final.
  2. Seu trabalho não é centrado em você.  Seu trabalho é centrado no usuário que vai se beneficiar daquilo que você está fazendo (planejando). Não ache que você conhece o usuário sem ter ido a campo e realmente observado, conversado e aprendido. Muitas vezes vemos soluções concebidas com base em pré-conceitos (no sentido restrito da expressão) e que não funcionam. Para evitar isso é legal ter sempre em mente que o profissional de planejamento é muito importante porque ele deve ser o profissional capaz de transformar esta massa bruta de informações em uma proposta de solução adequada, e não porque ele já conhece como o usuário pensa. Aliás, quando alguém falar isso, saiba que trata-se de principal cartão de visitas de um profissional de planejamento medíocre.
  3. Seu trabalho não consiste em reinventar a roda.  Isso não quer dizer que todas as soluções propostas por você devem ser iguais… Entenda: Você não tem que ser inventivo, você precisa ser atento e competente para planejar soluções adequadas para os usuários e – obviamente – que estejam dentro dos objetivos propostos pelo cliente que te contratou. Isso quer dizer que os trabalhos não têm que ser totalmente inéditos, eles têm que ser adequados. Esta adequação pode implicar em adaptar algo que já funciona hoje sem ter que reescrever tudo a partir do zero… Entendeu?
  4. Seu trabalho não depende apenas de você.  Você é parte de uma equipe. Se você planejar algo que não pode ser executado, seu trabalho não valeu muito. Se você planejar algo que está em desacordo com as diretrizes passadas a você, você não fez um bom serviço. Se você se fechar numa salinha e resolver tudo sem consultar o cliente, o atendimento, conversar com o designer de interface, o produtor e pesquisar com o usuário, você não terá feito um bom trabalho. Você não é obrigado a saber tudo. Por isso existe uma equipe. O profissional que acha que sabe tudo, não é um profissional, é um idiota. Você tem que se lembrar que seu trabalho tem um objetivo – apontado pelo cliente – e uma prioridade – atender as necessidades dos usuários. Ninguém consegue atingir um objetivo e atender uma prioridade tão amplos como estes sozinho.
  5. Seu trabalho não se resume ao que você tem que fazer.  Aprenda a perguntar. Profissionais de planejamento costumam se colocar numa posição de oráculo, dando mais respostas do que fazendo perguntas. Isso não deve existir. Você precisa conversar e tentar ir além, tendo em mente o objetivo e a prioridade que foram apresentadas acima. Fazer além é extrapolar aquelas linhas da OS dentro destes parâmetros. Não se trata de fazer o que não foi pedido, afinal, você não tem bola de cristal. Trata-se de resolver problemas de maneira eficiente pensando além (pode ser em termos de prazo, de alcance ou de escopo). Outra coisa importante, dentro desta premissa é entender que seu trabalho deve ser complementado com os expertises dos outros membros da equipe. O trabalho deve ser feito em conjunto, sempre!
  6. Seu trabalho demanda ficar atento e prestar atenção em tudo a sua volta. Planejar ações implica em saber caminhos que podem ser seguidos. Para saber qual caminho escolher, é preciso conhecer os caminhos e entender os destinos para os quais estes caminhos levam. Isso quer dizer que você deve experimentar as coisas, saber como elas funcionam e entender o que há por trás delas. Se você não tiver este conhecimento, fatalmente suas propostas de soluções serão ainda mais limitadas.

Update: São capacidades imprescindíveis para um profissional de planejamento:

  • Saiba trabalhar com métodos e técnicas de pesquisa
  • Saiba perguntar e retirar a essência nas respostas recebidas
  • Saiba se explicar por meio de textos e visualmente
  • Saiba trabalhar em equipe
  • Saiba conversar com usuários, cliente e equipe

O apagão da mão-de-obra qualificada

Este é o primeiro de dois posts muito especiais resgatados dos arquivos do blog. Eles tratam do apagão de mão-de-obra qualificada no Brasil. Em especial no setor de comunicação e tecnologia. São 05 textos que consolidei em dois posts. Originalmente foram publicados em julho de 2010.

Na semana passada estava conversando com o Fred e um dos assuntos foi: estamos vivendo um apagão de mão-de-obra qualificada.

Sem sombra de dúvidas, estamos sim vivendo este apagão. Um dos indicativos mais latentes desta falta de mão-de-obra é este próprio blog. Se não fosse pelo apagão, ele estaria às moscas, mas ultimamente tem virado um balcão de vagas disponibilizadas pelos colegas do mercado que sabem que eu tenho um público primordialmente formado por profissionais da área e futuros profissionais (meus alunos). Sei que tem gente que não gosta que o blog seja substituído por um balcão de vagas, mas é meio que incontrolável.

Como a coisa já se instalou, vamos às perguntas e ações práticas:

Onde se manifesta o apagão?O apagão é claro na área de tecnologia. Desenvolvedores de interface, gestores de projeto, designers de experiência e de interação, programadores, profissionais de planejamento e marketing eletrônico são os que mais estão fazendo falta por aí…

Muito embora seja fácil notar que há vários cursos de graduação e pós nessas áreas (ou que contemplem estas áreas) o pessoal se divide em três grupos básicos:

  1. os bons de serviço que já estão empregados ou trabalham como freelancers e que dão o preço de seus serviços (ou seja: escolhem salários) – Esta galera representa algo entre 01 e 05% do total.
  2. profissionais ou estudantes medianos, que dão conta do recado e, por isso mesmo, vivem pulando de emprego em emprego (se paga R$ 10,00 a mais no salário, o povo tá indo) – Este montante representa algo entre 45 e 50% do total da mão de obra ofertada.
  3. profissionais ou estudantes medíocres. Este grupo dispensa apresentação e representa os 50% restantes da mão de obra ofertada.

Qual é o tamanho do apagão?Pelas contas feitas a partir dos grupos acima listados, dá para perceber facilmente que o mercado está trabalhando com uma capacidade ociosa alta. Praticamente todo mundo está precisando de gente de qualidade para trabalhar e não está encontrando.

Deve ficar bem claro que a questão não é falta de gente. Gente tem de sobra. O problema é que não tem gente capaz. Ou seja: embora tenha muita gente desempregada, isso não indica que o mercado está saturado. Mas de jeito nenhum! O que acontece é que tem muita gente ruim de serviço e pouca gente realmente qualificada!  Por mais que isso possa te deixar com raiva de mim, lembre-se que não sou eu quem está falando, é o empregador… É o dono de agência, de produtora e de fábrica de software… Esse pessoal está arrancando os cabelos pois tem demanda de trabalho mas não consegue achar gente boa o suficiente para trabalhar.

Sou um empregador, o quê devo fazer?Em primeiro lugar, tentar se virar com o contingente de mão-de-obra que tem. Num segundo momento, vejo algumas atitudes que não podem ser ignoradas:

  1. Seja realista e evite buscar aquele funcionário canivete-suíço. Este cara não existe e, se existisse, não estaria disposto a receber o que você quer pagar.
  2. Aumente sua proposta de salário. Isso ajudará a fazer os bons profissionais considerarem ficar mais tempo com você.
  3. Crie um ambiente bacana para o funcionário se sentir estimulado a trabalhar em sua empresa.
  4. Seja honesto com seus clientes com relação a esta questão de mão-de-obra e ajuste seus contratos. Talvez você esteja cobrando pouco demais e isso causa um efeito cascata em sua estrutura.
  5. Procure treinar profissionais que já trabalham com você e também os novos funcionários. Custa caro e é arriscado, mas se você oferece um bom salário, um bom ambiente de trabalho e boas condições, os riscos são minimizados. Investir em treinamento pode ser uma boa saída para o apagão, mas não funciona isoladamente.

Sou um profissional (ou quase). O quê devo fazer para tirar proveito do apagão?Antes de mais nada, seja honesto consigo mesmo e verifique em qual das três categorias de profissionais / estudantes você se encaixa. Se você se encaixa no grupo 1, relaxe e aproveite. Se se enquadra no grupo 2, procure uma empresa para ficar mais tempo trabalhando e lembre-se que se você ficar pulando de galho em galho, não crescrerá em lugar algum. Tente “aquetar o faixo” um pouco para crescer numa empresa que seja bacana para você. O mercado de trabalho não é uma boite… Encare um emprego como um relacionamento que você tem que trabalhar em conjunto com seu empregador para que seja duradouro.

Se você se encaixa no terceiro grupo de profissionais / estudantes, há muito para fazer:

  1. Passe a levar as coisas mais a sério. O mercado de trabalho não é como a escola, onde se você fizer o mínimo necessário, se dá bem. Aqui ninguém quer saber se o seu colega de grupo “barrigou” o projeto inteiro e sua responsabilidade pelo fracasso deve ser minimizada em função disso. O pessoal quer resultados. Então acorde para a realidade!
  2. Capacite-se. A culpa não é da sua escola. Falo isso pois sei que escola nenhuma te capacitará por completo. Assim sendo, mexa-se e corra atrás! Pode fazer cursos o quanto quiser, mas se você não se comprometer de verdade, nunca sairá do lugar. Esta capacitação inicial é primordial para você se dar bem depois. Pense nisso.
  3. Depois da capacitação básica, vá além! Especialize-se em algo. Escolha uma coisa e corra atrás dela. Aprenda a avaliar as oportunidades que aparecem e veja de que tipo de profissional o mercado está precisando. Busque ser este profissional. Pode ser com cursos, pode ser de maneira autônoma. Em raríssimas situações uma certificação oficial lhe será exigida. Então, não é “fazendo um curso” que você vai se capacitar. Muito menos abandonando a escola de vez. O segredo é realmente cursar algo ou comprometer-se com algo (caso não exista algum curso ou algo semelhante).
  4. Estude um segundo idioma. A totalidade dos medíocres ignora o inglês ou chega até a se orgulhar de não saber inglês. Pois tenha noção que sem inglês você perde muito. Perde em material de treinamento que é disponibilizado online gratuitamente em inglês, perde em leitura de livros bacanas e material técnico que não é traduzido, perde em oportunidades de trabalho pois o mundo inteiro anda precisando de gente bacana.
  5. Pratique, pratique e pratique! Mesmo que você esteja desempregado ou nunca trabalhou, pratique e monte um portfólio de projetos e de tudo o mais que você sabe fazer. É errando que se aprende.
  6. Mostre-se! Crie uma presença online bacana o suficiente para que os empregadores saibam que você existe!
  7. Seja humilde. Entenda que dificilmente somos os melhores do mundo em alguma coisa. Assim sendo, aprenda a reconhecer a limitação de suas capacidades e seja honesto sobre elas.
  8. Reconheça seus erros e amadureça. Se alguém da empresa disser que algo que você fez não ficou legal, não leve para o lado pessoal. Reconheça, corrija e aprenda com seu erro. Fechar os olhos para isso é uma sentença de morte profissional.
  9. Saiba que você deve começar por baixo. Provavelmente o pessoal ainda não te conhece. Então, fica difícil você exigir o melhor cargo e o mais alto salário. Aprenda a trabalhar com o que lhe é oferecido e aproveite cada oportunidade para crescer.
  10. Tenha paciência e saiba a hora de pedir aumento ou aumentar o seu preço. Isso demora, mas não é inalcançável. Você vai ter que trabalhar por pouco dinheiro por muito tempo, mas isso vai compensar.

ConclusãoTem muita vaga sobrando. Tem muita gente medíocre sobrando. Enquanto você não fizer nada a respeito, a coisa vai continuar assim. Uma coisa que aprendi logo no começo da minha graduação – há quase quinze anos – foi que não existe falta de trabalho para quem é bom de serviço. Até o momento, não vi nenhum exemplo para suspeitar que isso não seja uma grande verdade. Outra verdade é a de que quem é realmente bom de serviço faz o seu salário. Novamente, nunca me deparei com nenhuma ocorrência que contrariasse isso. Ou seja: o apagão existe e é um buraco cheio de oportunidades para quem quer se dar bem. Vão se dar bem o profissional que souber aproveitar as oportunidades e os empregadores que os empregarem.

A importância de uma presença online profissional

Para quem trabalha ou quer trabalhar com web, estar na web é prioridade. Isso pode parecer (e é) básico, mas tem muita gente que ainda não compreende bem esta necessidade.

Convença-me

A possibilidade de teletrabalho que a internet oferece e a cada vez mais crescente tendência de os trabalhos serem executados por equipes de freelancers ao invés de empresas formalmente estabelecidas (ou ainda: as empresas formalmente estabelecidas têm contratado cada vez mais profissionais freelancers independentes – desculpem o pleonasmo – para colaborar em seus trabalhos) faz com que seja cada vez mais necessário para estes profissionais figuararem de maneira profissional na web.

Aparecer para ser contratado

Quando uma agência ou produtora vai contratar um profissional para fazer parte de sua equipe ou para colaborar em um projeto, duas coisas são muito importantes: ter referências sobre o profissional e saber das capacidades do profissional.

Num período passado, resolvia-se isso com uma entrevista, análise de currículum e portifólio e um telefonema para alguma referência. Levava tempo.

Hoje, em tempos de mídias sociais, blogs, Twitter e adjacências, é possível fazer uma seleção de um profissional sem que o profissional sequer saiba que está sendo selecionado. Em função disso, este profissional que quer ser selecionado, deve se preparar para que conheçam seu trabalho.

É por isso que recomenda-se que o profissional construa uma presença online sólida e consistente.

Em defesa do site pessoal do profissional

Em termos práticos, construir esta presença online profissional implica em: montar um portifólio de qualidade e expor seus trabalhos mais representativos nele. Em se tratando de um profissional que queira trabalhar com desenvolvimento web, é mais do que básico que este profissional seja dono de seu próprio nariz na rede. Ter um domínio e lá colocar seu portifólio é uma excelente (e básica) decisão.

Além do site com portifólio, é legal que as pessoa mostre suas opiniões e reflexões sobre o cenário profissional. Um blog ajuda a resolver isso de maneira bem interessante. Tem gente que pensa que blog é bobagem ou que é apenas para opiniões pessoais. Nada disso. Pense na situação em que você deve escolher um novo diretor de arte. Você tem dois candidatos com trabalhos muito bacanas. Mas um deles colocou só os seus trabalhos, e o outro tem um blog onde discute – com bons textos e muita propriedade – assuntos relacionados ao oficio do diretor de arte e todas as áreas que com esta se relacionam. A chance de você escolher o segundo (ou de qualquer outra empresa fazer isso) é muito maior. Portanto, mostrar a que veio ao mundo é também muito interessante e não há ferramenta mais apropriada para isso do que um blog.

Ser um usuário ativo de redes de compartilhamento de conhecimento, recomendações e outros tipos de sites e serviços que fomentem a interação social também pode ser muito interessante. Perfis no Twitter, Flickr e Delicious ajudam a mostrar para o mundo o que você faz todos os dias. Afinal, em seu portifólio você coloca apenas aquilo que merece destaque, certo?

Conclusão
(estou adorando escrever posts com “conclusão”)

Com isso tudo, seu site pessoal acaba virando um local que, além de abrigar seu blog, seu portifólio e seu currículum, é também um local onde você concentra as referências para todos os locais onde está presente no ciberespaço. E, convenhamos, não há lugar melhor para fazer isso com toda liberdade que você precisa do que um site seu.