I had to tap the screen seven times to access a link

Social media, by definition, is for sharing content. This content can be video, text, images and even links to other content that we can access on the web. This process of empowering people with the ability to share provides many social benefits.

Instagram is a social media platform built with the aim not of helping people or society, but rather with the function of generating profit/revenue for its owners through the sale of advertising. That’s why the product is built in such a malicious way. There is not the slightest desire to provide a product that people can leave to consume content elsewhere. Even if it’s just for a few minutes.

I decided to record a video to demonstrate how ridiculous this is. I was browsing the content on Instagram and decided to access the stories of the profiles I follow. One person shared in stories a reference to a text that could be interesting. The process of accessing this post, having to return to the profile home page to consult the link, clicking to access a secondary list of links and, only then, finally being able to access the content and then choosing to open the given link in my main browser is ludicrous.

I had to tap the screen seven times to access a link.

The amount of effort that the user needs to exert to be able to carry out a simple activity on this platform drives me crazy. I lack the rationality (or perhaps intelligence to understand the genius behind it) to understand why a platform that makes it so difficult to carry out a simple action can be so adopted and used.

I am very bothered by the greed that drives this development and, perhaps, that is why I have never been able to effectively use this service.

It’s a bad and evil product. It doesn’t matter how many people use it. Whoever is involved in it knows this and, in fact, it is something open. It’s a bad product.

 

 

Instagram is a terrible product. Reason number 357

Suppose you are scrolling through Instagram.

Suddenly you find something that interests you and you expand the caption to read the full post.

It’s an interesting read and leaves you wanting to know more about the subject of the post. In this case, it’s a post about, let’s say, an award show whose name doesn’t really matter at the moment, but on the red carpet, three actors arrive together and you now want to learn a little more about them. You’re not sure if they’re in a TV show together, a movie together, or just friends. In the post you are reading on Instagram, the names of the three actors are mentioned in the caption.

You switch to your cell phone browser and search for the name of the first actor that interested you. You then read about it on Wikipedia and go to IMDB to take a look at the productions that person participated in. Cool! Then you think: time to go back to Instagram and look for the two other artists who were in the photo.

When you go back to Instagram, the app reassembles the feed and you will never see that post again. The end.

Feliz aniversário, Mihály Csíkszentmihályi!

Hoje o Doodle do Google √© em homenagem ao 89¬ļ Anivers√°rio de Mih√°ly Cs√≠kszentmih√°lyi.

Este autor foi muito importante para mim quando eu ainda estava cursando o mestrado. Aprender sobre o Flow naquele momento foi crucial. Depois disso, virou figurinha garantida em minhas aulas. Além do Flow, recomendo muito o livro The meaning of things.

M√°s decis√Ķes de design impactam o faturamento

Ou: Como uma série de problemas de design impediram-me de fazer uma surpresa para minha mãe

Nesta semana estive na casa da minha m√£e numa r√°pida visita na ter√ßa de tarde. Chegando l√°, vi que havia inaugurado uma filial da Domino‚Äôs no bairro dela. Havia um folheto da filial na caixa de correio (a m√≠dia offline ainda funciona, claro! ūüôā ). No folheto, um alerta para a promo√ß√£o de “leve 2 e pague 1” na ter√ßa. Resolvi surpreender minha m√£e e fazer um pedido de pizza para ela mais tarde.

Tentei pelo telefone. Infelizmente, a atendente da loja n√£o entendeu que eu queria pagar as pizzas antecipadamente. De verdade. Eles n√£o conseguiram me cobrar pelo telefone. O pagamento deveria ser feito na entrega. Somente na entrega. Ah, e outra coisa: Eu estava ligando por volta das 17:30. N√£o poderia deixar uma entrega agendada. Se eu liguei naquela hora, o pedido teria que sair da loja assim que ficasse pronto. Eles n√£o podiam (ou n√£o conseguiram) fazer o pedido naquela hora e preparar a pizza e entregar mais tarde. De fato, muitas informa√ß√Ķes, n√©?

Ent√£o. Fazer minha m√£e pagar pela pizza na entrega seria um presente de grego e isso eu n√£o queria.

Tentei de outra forma. Pus-me a instalar o app da Domino‚Äôs no meu celular. Te dizer que foi uma luta. O design da intera√ß√£o do aplicativo √© muito fraco. Saltar de campos no formul√°rio de cadastro √© um supl√≠cio! Al√©m disso, as minhas a√ß√Ķes de toque no app ficavam sem resposta. Eu tocava nos bot√Ķes e n√£o tinha qualquer tipo de feedback. Um exemplo: no primeiro uso do app, somos incentivados a cadastrar endere√ßos para entrega. Eu preenchia os dados e tocava em ‚Äúcadastrar‚ÄĚ. Como n√£o tinha resposta, toquei repetidas vezes. Depois de desistir, fui ver meus dados e um mesmo endere√ßo havia sido criado repetidas vezes.

Outro problema do aplicativo da Domino’s foi o pagamento. Fiz o processo de cadastro à duras penas e, depois, procedi com o pedido. Ao fazê-lo, fui levado a crer (com um botão para escolher a forma de pagamento) que poderia pagar pelo app. Ledo engano. O pedido é fechado sem que conseguisse fazer o pagamento pelo app.

Depois de incorrer neste erro, liguei para a loja para pedirem que incluíssem o pagamento no pedido. Assim, minha mãe não seria cobrada quando as pizzas chegarem em sua casa. Novamente, não foi possível. Tiveram que cancelar o pedido na loja.

Voltei ao app e cadastrei um cart√£o de cr√©dito em minha conta. Refiz o processo. Sem sucesso. Na segunda vez que tive que ligar para a loja para cancelar o pedido e evitar que minha m√£e fosse cobrada, a atendente disse: ‚Äúpor que voc√™ n√£o faz o pedido pelo ifood?‚ÄĚ

Pois √©. A funcion√°ria de uma marca pedindo para que eu n√£o use o app desta marca, mas sim o app de outra empresa. Tudo isso porque, em algum momento, p√©ssimas decis√Ķes de design foram tomadas.

A falta de experiência na questão da experiência do usuário

Às vezes a gente pensa que, porque já sabemos alguma coisa, os outros também já sabem. Mas outra coisa que a gente sabe é que não é bem assim.

Isso costuma acontecer comigo muito. O tempo todo preciso me policiar.

Como, desde o ano 2000 trabalho com usabilidade (isso mesmo: de 1995 a 2000 eu trabalhei com desenvolvimento web sem saber que existia algo chamado usabilidade. Trevas, amigo. Trevas), arquitetura de informação e correlatos, é muito fácil achar que, em pleno ano de 2017 estes sejam conceitos introjetados em qualquer processo de produção de um sistema interativo que se preze.

Ainda mais em tempos em que vivemos a emerg√™ncia (eu diria at√© com certo exagero) da ‚Äúexperi√™ncia do usu√°rio‚ÄĚ.

Infelizmente, esta afirmação não poderia ser mais distante da realidade.

Vamos a um caso prático que ilustra perfeitamente a situação.

Meus filhos ganharam uma caixa de bombons Garoto hoje, para a páscoa. Ao abrir a caixa, vi que havia uma promoção na tampa. A instrução era a de entrar num site, digitar um código e ver se o dono da caixa ganhou R$ 100. 000,00.

Tentador, né?

Lá fui eu digitar o código.

A primeira coisa com a qual me deparei foi um problema que, a princípio, pensei ser de compatibilidade de browser. Estava tentando fazer o cadastro no Safari. Não conseguia de forma alguma. Mesmo estando idênticos, o formulário acusava que os endereços de e-mail não eram corretos e/ou não conferiam. Fato equivalente ocorreu com os campos de senha. Isso me fez afastar (a princípio) a má fá de quem fez o formulário de impedir os truques bacanas que o Gmail nos permite usar para identificar empresas que vendem nossos cadastros.

Depois de tentar algumas (sério, tentei mais de 5) vezes, abri o Chrome. Deu o mesmo problema.

N√£o obstante a quest√£o do conte√ļdo do formul√°rio n√£o ficar 100% vis√≠vel para o usu√°rio, o erro persistiu. Tirei o +garoto do endere√ßo e consegui me cadastrar.

O passo seguinte foi validar a conta clicando no link do email enviado. Aí, tudo certo. Como meu navegador padrão é o Safari, o link clicado no cliente de e-mail me levou para este software. Cadastro efetivado. Consegui fazer o login.

Em seguida, o que precisava fazer era cadastrar o c√≥digo da tampa. Tentei fazer por pelo menos mais cinco vezes no Safari. O CAPTCHA acusou erro em todas as vezes.

Retornei ao Chrome.

Novo login. Novas cinco tentativas.

Nesse momento eu nem lembrava mais a questão do prêmio. Já havia se passado mais de 20 minutos e agora eu só estava preocupado em saber até onde vai a falta de capacidade de construir um sistema que funcione. Em pleno 2017.

Mais algumas tentativas (afinal, como todo usuário, até eu penso que o problema pode ser comigo) depois, o resultado final: Desisti.

Eu achava que isso de sites não funcionarem em algum sistema específico era coisa de meu passado, quando usava Linux + Opera (coitados dos alunos de Ciência da Computação cujos projetos precisavam funcionar corretamente nessa configuração).

Claro que a realidade se mostra bem diferente. E o problema não é só com a Garoto e esta promoção estranha. Recentemente tentei por várias vezes montar um carro em sites de montadoras usando iOS. Te desafio conseguir fazer isso no site da Fiat. Já o site da Renault precisa de Flash para funcionar.

Risos.

Mas, enfim. A questão é que, por mais que achemos que as coisas estejam evoluindo, a realidade (sempre ela) nos presenteia com um belo tapa na cara.

Ainda há muito o que aprender sobre usabilidade, acessibilidade, empatia com o usuário e a tão falada UX. Estes assuntos passaram longe das equipes que estão à frente de projetos web. Em pleno 2017.

Boa sorte a todos nós.

Qual o peso do título de especialista em Design de Interação

(Ou: você precisa de uma pós em Design de Interação para ser designer de interação?)

TL, DR: N√£o.

Quer a explicação completa? Leia a seguir e participe da discussão!

Pre√Ęmbulo ‚Äď A inquieta√ß√£o
Para quem n√£o sabe, eu ‚Äď Caio Cesar ‚Äď fui um dos respons√°veis pela implementa√ß√£o da primeira p√≥s gradua√ß√£o em Design de Intera√ß√£o no Brasil. Sob a minha coordena√ß√£o, formaram-se cinco turmas de especialistas em DI. Foi um per√≠odo muito gratificante, de muito trabalho e v√°rias realiza√ß√Ķes. No entanto, algumas inquieta√ß√Ķes sempre me incomodaram. Uma delas,¬†a corrida por uma p√≥s a qualquer custo, sem se preocupar com uma forma√ß√£o mais s√≥lida na base. Estas inquieta√ß√Ķes foram crescendo at√© que chegou um ponto em que eu precisei fazer algumas escolhas e continuar coordenando uma p√≥s deixou de ser uma prioridade e um interesse. Da√≠ nasceu o inter. ativida. de.

Embora esta quest√£o da forma√ß√£o esteja bem clara na minha cabe√ßa, aqui no projeto inter. ativida. de tenho recebido muitas indaga√ß√Ķes a respeito da p√≥s em Design de Intera√ß√£o. A quantidade de gente que tem demandado este curso √© grande. Mas minhas cren√ßas e instinto me dizem que uma p√≥s por si s√≥ n√£o √© o suficiente para formar um designer de intera√ß√£o. Na verdade, n√£o acho que acabe colaborando com muita coisa al√©m de apontar bibliografias, apresentar contatos e mostrar que existem caminhos‚Ķ

Pra deixar bem claro, o que eu penso √© que para voc√™ trabalhar com design de intera√ß√£o tudo o que voc√™ precisa √© come√ßar. E se esfor√ßar muito. Para fazer um paralelo bem superficial, pense na quantidade de pessoas que trabalham com desenvolvimento front end para a web. Agora, a partir deste montante, tente identificar quantos destes profissionais aprenderam a fazer isso em cursos de gradua√ß√£o ou p√≥s. Certamente voc√™ perceber√° que a grande maioria aprendeu fazendo, e n√£o frequentando aulas. Meu ponto aqui n√£o √© detonar a forma√ß√£o superior. N√£o sou maluco. Dou aulas numa universidade h√° 12 anos. Entendo e valorizo a forma√ß√£o superior. Mas, como j√° disse em outras ocasi√Ķes, voc√™ n√£o √© aquilo que voc√™ estuda. ¬†Voc√™ √© aquilo que voc√™ faz.

Nesse sentido, acho que fontes online de informação, somadas a disciplina e ao empenho do interessado acabam por fazer mais diferença na vida dele do que um título faria.

Perguntando a profissionais e empreendedores
S√≥ que isso tudo pode ser coisa da minha cabe√ßa e eu posso estar viajando muito. Por isso, decidi perguntar para pessoas que contratam profissionais, o que eles acham. Perguntei para alguns profissionais que empreendem e contratam pessoas para fun√ß√Ķes relacionadas ao DI qual o peso do curso na hora da contrata√ß√£o. De forma bem espec√≠fica, coloquei a quest√£o: se dois candidatos est√£o participando de um processo seletivo na empresa e apenas um deles tem t√≠tulo, este t√≠tulo √© mais importante que o portif√≥lio ou √© apenas um crit√©rio de desempate? O portif√≥lio e o perfil (entrevista) s√£o mais importantes que o t√≠tulo ou a forma√ß√£o fala mais alto?

A primeira resposta que recebi foi da Juliana Duarte, da¬†Lapis Raro. Para ela, a resposta mais direta s√≥ poderia ser: o portf√≥lio e o perfil certamente contam mais que o t√≠tulo. No entanto, a Juliana levantou algumas quest√Ķes interessantes como a velocidade do aprendizado em sala de aula, que √© maior em sua percep√ß√£o. De forma intimamente relacionada, a resposta do Leandro Alves, da¬†Meliuz, foi a de que uma p√≥s proporciona o networking necess√°rio para alavancar a sua carreira ou at√© proporcionar a ela um novo direcionamento.

De forma mais que direta, Cristiano Dias, da Mutato, mandou: Portfolio, entrevistas e indicação de conhecidos valem muito mais do que diploma. Mas isso em agência. Em cliente normalmente é o contrário, até por que como são empresas maiores há planos de cargos e salários e o simples fato de ter um diploma pode te garantir um salário maior.

Isso se relaciona a uma questão que eu sempre coloquei parece também incomodar a Juliana e o Alexandre Estanislau, da Bolt: vale a pena fazer pós só por causa do título? Concordamos que não. O título pelo título não representa muito. O Leandro foi até mais além, dizendo que

‚Äúo diploma em si, n√£o vale nada. O cara pode ser PhD na √°rea que procuro, que n√£o quer dizer muita coisa. Inclusive, eu sempre fico com p√© atr√°s, quanto maior o t√≠tulo da pessoa, porque muitas das pessoas com as quais tive contato e que tinham titula√ß√£o muito alta, acabavam por ser arrogantes, inflex√≠veis ou simplesmente loucas e imposs√≠veis de se relacionar. ‚ÄĚ

Renato Amarante, da¬†Sense8, foi na mesma onda do Leandro em sua coloca√ß√£o sobre o assunto. Para ele, ‚Äúportfolio e t√≠tulos s√£o apenas ind√≠cios de que o cara pode ser bom. Afinal, se estudou e fez uma p√≥s, teoricamente ele √© melhor do que o que n√£o tem nada‚ÄĚ. Mas isso n√£o quer dizer que quem n√£o tem o t√≠tulo seja desqualificado: ‚Äúem quase 20 anos de web nas costas, os melhores profissionais com quem trabalhei foram os que sequer iniciaram uma gradua√ß√£o‚ÄĚ. Para fechar a sua fala sobre este assunto, o Renato ainda me informou que j√° se deu mal por apenas olhar o portif√≥lio do candidato na hora da contrata√ß√£o ‚Äútalvez por estar tentando enganar usando portfolios de outros, ou at√© mesmo porque no dia a dia, no trabalho em equipe, o cidad√£o n√£o se d√° bem‚ÄĚ.

A integra√ß√£o com a equipe e a adequa√ß√£o com o perfil da empresa se mostraram tamb√©m muito importantes para o Herbert Rafael, da¬†3bits. Ele relata que j√° contratou pessoas muito capacitadas (forma√ß√£o √© um par√Ęmetro dentro desse contexto) que n√£o se adaptaram ao estilo da ag√™ncia, o que n√£o foi t√£o bacana no final das contas.

Ent√£o quer dizer que fazer um curso n√£o vale nada?
Se você está se fazendo esta pergunta, peço que volte ao início do texto e comece a ler novamente. Todos os que responderam minha mensagem procuraram deixar bem claro que não se posicionam contra a formação superior. Da mesma forma que eu.

Isso me deixou um tanto quanto aliviado. Com as respostas que recebi, pude comprovar que minhas suspeitas e meu instinto não estão fora da realidade. Um curso é importante. A formação superior é importante. Mas não determinante. Ela colabora para que o profissional tenha uma bagagem que será muito interessante em sua vivência. A especialização (numa pós lato sensu) apenas pelo título pode ser bem legal se você receberá um aumento em função disso, como disse o Cristiano. De resto, é dinheiro jogado fora.

Para deixar mais claro, reitero o que o Cristiano falou l√° em cima. Uma empresa costuma valorizar o t√≠tulo. Isso √© correto. Mas tenho certeza de que este n√£o √© o √ļnico quesito avaliado. Se fosse, o meu t√≠tulo de doutor me garantiria o emprego que quisesse, mas a coisa n√£o √© bem assim. N√£o basta eu querer um emprego. Eu preciso ser capacitado para desempenhar esta fun√ß√£o (um mestrado, um doutorado ou mesmo uma p√≥s lato sensu n√£o capacitam ningu√©m para fun√ß√Ķes espec√≠ficas em empresas. Isso precisa ficar bem claro) se quiser a vaga.

O Leandro disse que dependendo de suas aspira√ß√Ķes profissionais, a p√≥s tem um incr√≠vel valor. Para ele, se o profissional quer atuar como consultor, uma p√≥s ajuda e muito, dando um cr√©dito formal √† sua forma√ß√£o. Mas ele refor√ßa que se o objetivo √© aprender algo, cursos mais curtos e direcionados tem um valor muito maior do que uma p√≥s deste formato.

A Juliana disse algo semelhante. Uma pós, de acordo com ela, pode ser um pontapé inicial para uma carreira acadêmica. Mas, se o profissional já aspira atuar nessa área, o mestrado é o caminho mais adequado.

(a falta de) Bagagem e vivência
O Alexandre, muito sabiamente, coloca uma quest√£o deveras importante para apimentar a discuss√£o:

‚ÄúVejo que muitos procuram um curso, uma p√≥s ou algo do tipo, pra aprender um of√≠cio. Pouco se preocupam em aprender a pensar. Aqui na Bolt temos grandes dificuldades de encontrar bons profissionais em todas as √°reas. Achamos pessoas querendo trabalhar, mas com um perfil muito ruim para uma vaga. E principalmente na √°rea de intera√ß√£o √© mais complicado ainda. E ter um t√≠tulo, uma forma√ß√£o dentro do interesse espec√≠fico √© importante, mas n√£o √© s√≥ isso que v√° render uma contrata√ß√£o. Hoje eu busco outras qualidades em quem vem trabalhar aqui na Bolt. Busco conhecimento em outras √°reas, busco algu√©m que gosta de desafios, pessoas que tenham curiosidade, pessoas que saibam discutir sobre todo e qualquer assunto, que saiba ouvir, que saiba expor ideias e que saiba lidar com as press√Ķes do dia a dia e que tenha capacidade de se adaptar mas principalmente pessoas CRIATIVAS. Tudo isso em geral se consegue com tempo de estrada, e √© justamente o que n√£o vejo na maioria dos candidatos. O t√≠tulo n√£o √© fundamental e nem √© ele quem vai definir quem entra e quem fica de fora. Ele vai servir de base, mas √© um conjunto de fatores que definem quem fica na vaga. ‚ÄĚ

Até parece que combinaram as falas. Vejam o que a Juliana disse sobre isso:

‚ÄúUma outra coisa que me ocorre sempre quando o assunto √© p√≥s √© a pressa das pessoas sair da gradua√ß√£o e cair matando em uma p√≥s, sem nenhuma viv√™ncia de mercado, sem ter os problemas e quest√Ķes que nascem da pr√°tica‚ÄĚ ‚Ķ ‚Äún√≥s, que j√° estamos h√° muito tempo na estrada e que come√ßamos desde sempre pensando nas pessoas j√° temos isso muito internalizado. Muitas vezes, ao desenvolver um trabalho ainda me assusto com a aus√™ncia dessa perspectiva no racioc√≠nio e na pr√°tica dos profissionais. ‚ÄĚ

A falta de bagagem e vivência é uma coisa que certamente um curso não resolve.  Tem vaga sobrando, mas também tem gente ruim de serviço sobrando. Gastar dinheiro apenas cursando uma pós não resolve o problema de todo mundo. Na verdade, não resolve o problema de ninguém. Conheço gente que concluiu o doutorado trabalhando cibercultura com 28 anos e que não sabe nada de HTML ou que nunca conseguiu fechar (ou ao menos abrir) um arquivo . PSD.

O mercado est√° ‚Äď e isso n√£o √© o Caio dizendo, volte e leia as falas dos profissionais e empreendedores que colaboraram com esta ‚Äúmesa redonda virtual‚ÄĚ ‚Äď precisando de gente que coloca as m√£os na massa e este tipo de profissional n√£o se constr√≥i num curso. Alguma coisa pode at√© vir de um curso, mas pensar √© algo que n√£o d√° para se ensinar numa p√≥s.

O que você sugere, Caio?
De forma bem direta, o que sugiro é que você comece a fazer. O que quer que seja. Dê início. Se você quer ser desenvolvedor front end, não hesite. Comece a quebrar a cabeça com HTML, JavaScript, CSS… Aprenda a trabalhar com ferramentas gráficas. Participe de comunidades online, fóruns de discussão. Faça experimentos. Coloque-os no ar e divulgue o que você está fazendo. Aos poucos, seu trabalho vai melhorar e com o feedback que você receberá da comunidade, você aprenderá muito.

Frequente associa√ß√Ķes de profissionais, como a¬†IXDA¬†por exemplo. L√° voc√™ poder√° conhecer muita gente interessante que j√° trabalha na √°rea ou que est√° na mesma situa√ß√£o que voc√™. N√£o √© poss√≠vel que voc√™ n√£o v√° conhecer ao menos uma refer√™ncia nova por este caminho.

Leia, leia e leia um pouco mais. Leia tudo sobre o assunto que te interessar. Não sabe ler em inglês? Então já sabe o que precisa fazer. Pare tudo e providencie sua capacitação em inglês, oras! Depois que você estiver com uma boa carga de leitura, faça novos experimentos, produza! Coloque seu conhecimento a prova fazendo coisas novas.

Se voc√™ acha que isso tudo acontece num curso, bem‚Ķ acho que voc√™ est√° equivocado. Os ritmos das pessoas s√£o diferentes e as aspira√ß√Ķes bem como o conhecimento tamb√©m s√£o. Dessa forma, n√£o d√° para garantir que voc√™ conseguir√° resolver seus problemas com uma p√≥s.

E, como voc√™s puderam ler, os donos de ag√™ncias e pessoas que contratam (o tal ‚Äúmercado‚ÄĚ) n√£o est√° exigindo um t√≠tulo. As empresas querem pessoas que tenham repert√≥rio e maturidade.

Por fim, o que quero dizer é: não ache que uma pós (ou um curso qualquer) é a solução para os seus problemas. Eu posso fazer dez cursos de culinária e ainda assim continuar fazendo lambança na cozinha se eu não começar a levar a coisa a sério. Se eu quero comer uma omelete bem feita, a primeira coisa a fazer é quebrar os ovos.

No entanto, como bem lembrou o Herbert, o espa√ßo para a leitura, a busca de refer√™ncias e o contato pode muito bem ser o de um curso de p√≥s. Sem d√ļvida alguma! O tempo destinado a um curso pode e deve ser aproveitado para que sejam feitos contatos, se descubra coisas novas e fazer muita experimenta√ß√£o. Mas estas coisas n√£o acontecem apenas em cursos.

Por isso este projeto existe (existiu). De alguma forma, estamos lutando aqui para a formação de uma comunidade que discute e aprende design de Interação além dos muros das escolas. De uma maneira que não prenda a sua participação a um tempo específico (a duração de um curso). Se você quer participar, as portas estão abertas. Leia, discuta (comente), faça parte de nossa lista (Em breve retornarei com a lista de DI. Aguarde!!) para receber as novidades e interaja com a comunidade (ache a sua e participe dela ativamente!).

Quem sabe este não é o lugar que você vai encontrar um parceiro bacana para tocar um projeto legal que vai fazer toda a diferença na sua vida profissional? Já pensou que pode ser aqui que você vai ter a notícia de um livro ou uma metodologia que vai se encaixar com tudo o que você precisa? Tudo o que você tem a fazer é acompanhar e participar.

Comece comentando sobre este texto. O que você tem a dizer? Gostaria muito de saber. Você acha que é necessário fazer uma pós para ser um especialista em Design de Interação? Como dito, o espaço está aberto.

Abandonando a mediocridade

Este é o segundo de dois posts muito especiais resgatados dos arquivos do blog. Eles tratam do apagão de mão-de-obra qualificada no Brasil. Em especial no setor de comunicação e tecnologia. São 05 textos que consolidei em dois posts. Originalmente foram publicados em julho de 2010.

Abandonando a mediocridadeParte 01 ‚Äď Produ√ß√£o Web

Aproveitando o momento de choque de realidade proporcionado pelo post sobre o apagão da mão-de-obra, imagino que seja interessante para muita gente saber como reverter a situação atual e deixar de ser um estudante ou profissional medíocre. Começarei pela Produção Web.

Então…  O Sérgio e o Dito deram algumas dicas nos comentários do post. Darei sequencia a elas e procurarei proporcionar algum tipo de auxílio a quem quer sair desta desconfortável posição.

Em primeiro lugar, √© legal verificar se voc√™ faz parte do contingente de estudantes / profissionais med√≠ocres. Para tanto, fa√ßa algumas pondera√ß√Ķes:

  • Voc√™ j√° recebeu alguma negativa em um processo de sele√ß√£o de alguma empresa sem motivo aparente ou com a justificativa de que sua qualifica√ß√£o ou conhecimento est√£o aqu√©m do demandado para a vaga? N√£o vale aqueles casos em que voc√™ mandou um portf√≥lio ou CV e a empresa nem respondeu. Existe muita empresa mal-educada que n√£o d√° retorno aos candidatos. Nestes casos, n√£o necessariamente a quest√£o √© com o candidato‚Ķ
  • Voc√™ acha que as exig√™ncias listadas nas vagas ofertadas s√£o muito altas dentro da sua √°rea de forma√ß√£o? Ex: Se voc√™ quer trabalhar com produ√ß√£o, acha que √© muito abuso da empresa querer que voc√™ saiba PHP ou domine JavaScript?
  • Voc√™ desconhece mais do que 25% dos itens exigidos nas descri√ß√Ķes das vagas para as quais voc√™ pensa em se candidatar ou se candidata? Ex: Voc√™ n√£o sabe o que √© JQuery, Tableless, APIs‚Ķ

Se voc√™ respondeu ‚Äúsim‚ÄĚ a pelo menos uma dessas perguntas, uma mudan√ßa de atitude profissional √© imperativa pois, necessariamente, voc√™ se encaixa naquela categoria de profissionais / estudantes e talvez seja esta a causa de sua posi√ß√£o atual.

Mas não tema… Há sempre o que fazer para mudar a sua situação. Abaixo, algumas coisas importantíssimas.

  1. Capacite-se em ingl√™s. Fa√ßa urgentemente um curso e trate de dominar o idioma. J√° disse um milh√£o de vezes e direi enquanto achar suficiente. Antes de sair fazendo cursos espec√≠ficos ou p√≥s-gradua√ß√Ķes, fa√ßa um curso de ingl√™s. O conhecimento deste idioma ser√° importante para voc√™ tirar melhor proveito de qualquer curso que quiser fazer.
  2. Busque conhecimento em fontes gratuitas online. O Dito mencionou o¬†Lynda, mas tem tamb√©m o¬†php. net, o¬†w3schools, o pr√≥prio¬†w3c¬†e o site do¬†Maujor¬†(para n√£o dizer que n√£o mencionei ningu√©m que propaga informa√ß√£o bacana para capacita√ß√£o em portugu√™s). Nestes sites h√° muito conte√ļdo bacana para voc√™ aprender muito sobre HTML, JavaScript, CSS e PHP (ferramentas muito importantes para quem quer trabalhar com Produ√ß√£o Web). Fa√ßa os tutoriais, tenha paci√™ncia e dedique-se‚Ķ √Č compreendendo seus erros (mesmo os exerc√≠cios mais b√°sicos reservam desafios) que voc√™ aprender√° de verdade.
  3. Compre um livro. Recomendo o do Maujor e o dos Deitel. São abrangentes o suficiente para ajudar quem já conhece um pouco e também quem não conhece nada. Adicionalmente, dê uma olhada nos títulos da editora Novatec (vale sempre explicar que eu não estou recomendando nada em troca de dinheiro ou de qualquer outra coisa). Eles têm bons títulos. Coma estes livros. Entenda o que está lá. Estude, leia e releia.
  4. Dedique-se e pratique! Exercite-se bastante. Construa os exemplos dos livros e depois faça os seus próprios… Coloque o que você fez no ar em um site seu. Apareça.
  5. Quando você começar a dominar o assunto, mostre o que você sabe. Discuta sobre o assunto num blog e mostre o que você sabe fazer em um site seu. Além de ajudar mais gente, você mostrará o quanto sabe e colocará a sua cara a tapa. Discuta suas ideias e mostre do que você é capaz.
  6. Como o S√©rgio falou, pense diferente. Quando voc√™ come√ßar a dominar algum assunto, pensar fora da caixa ser√° natural. Exercite esta capacidade e mostre do que voc√™ √© capaz. Pense em solu√ß√Ķes alternativas e caminhos mais f√°ceis que coloquem em pr√°tica o que voc√™ aprendeu.
  7. Por √ļltimo, volte a se candidatar as vagas que antes eram imposs√≠veis para voc√™. Aposto que os resultados come√ßar√£o a ser diferentes.

√Č claro que esta √© uma lista pequena e muito simplificada, mas √© um √≥timo come√ßo. Tenho certeza que depois de chegar nas etapas 4 ou 5 voc√™ perceber√° mudan√ßas sens√≠veis em sua capacidade profissional e em sua postura.

N√£o tenha d√ļvidas de que voc√™ s√≥ ter√° a ganhar estudando, se capacitando, adotando uma postura humilde e pensando de forma diferenciada. N√£o h√° contra-indica√ß√Ķes.

Bem, espero ter ajudado… Em breve, novas dicas para quem quer se aventurar em outras carreiras ligadas a comunicação e tecnologia.

Parte 02 ‚Äď Design de Interfaces

Dando sequencia √†s reflex√Ķes sobre o apag√£o da m√£o-de-obra qualificada ‚Äď especialmente no mercado de comunica√ß√£o e tecnologia ‚Äď aventuro-me neste post a falar sobre o design de interfaces.

√Č incr√≠vel perceber, gostaria de ressaltar antes de come√ßar o post em si ‚Äď como √© comum vermos hoje em dia (em pleno ano de 2010) que tem gente que chama o designer de interfaces de webdesigner‚Ķ Quest√£ozinha que me d√° at√© pregui√ßa‚Ķ Mas √© legal deixar claro que n√£o se trata da mesma coisa. O que se chamava no passado de webdesigner n√£o existe mais hoje; era aquele profissional que, sozinho, dava conta de toda a produ√ß√£o de um site. Hoje, feitas as devidas adapta√ß√Ķes, o webdesigner estaria mais para um gestor de projetos do que para um cara que desenha interfaces em si. Este cara, o que desenha as interfaces, e o seu trabalho s√£o os pontos centrais de minha reflex√£o de hoje.

Falando sobre este trabalho, então, não é difícil percebermos que tem muita gente querendo trabalhar com isso. Entretanto, novamente temos aqueles grandes agrupamentos de categorias (ou capacidade / qualidade) dos profissionais…

  • Uma minoria √≠nfima tem talento e √© capaz de propor algo novo e bacana.
  • Um grande contingente simplesmente replica o que v√™ e tem certo dom√≠nio da ferramenta para execu√ß√£o e, com isso, mant√©m-se no mercado sem muito destaque.
  • Um contingente ainda maior que o anterior √© de gente ruim de servi√ßo.

Como todo mundo quer sempre subir um degrau nesta escala de qualidade profissional, espero aqui ajudar com algumas dicas. De quebra, imagino que ajudarei algumas pessoas a abandonarem o estado de mediocridade profissional e garantir seu lugar ao sol. Obviamente seria um delírio achar que todo mundo deveria (ou conseguiria) se encaixar no estágio avançado de propor coisas novas e se dar bem com isso. Entretanto, é legal sabermos que às vezes a gente vai se encontrar quase lá. E comportar-se de acordo com isso é importante; especialmente para não levarmos grandes rasteiras da vida.

  1. Entenda que¬†ser um bom designer de interfaces √© algo que vai al√©m do dom√≠nio de uma ferramenta ou outra. Voc√™ deve compreender o que √© design, ter boas no√ß√Ķes de composi√ß√£o, equil√≠brio e de cores. A ferramenta em si √©, como j√° disse, secund√°ria. Saber o que deve ser feito √© infinitas vezes mais importante do que saber o que cada bot√£o faz num software. Cuidado para n√£o entender errado‚Ķ N√£o quero dizer que voc√™ n√£o deve dominar as ferramentas, mas sim que apenas domin√°-las n√£o faz de voc√™ um bom designer de interfaces. Para entender isso, h√° algumas boas fontes, on e offline. Os livros do¬†Modesto Farina, o do¬†Jo√£o Gomes Filho¬†e tamb√©m o do¬†Felipe Mem√≥ria¬†podem ajudar bastante nisso. O do Felipe, inclusive, deve ser lido por quem quer trabalhar com planejamento e com experi√™ncia tamb√©m. Mas disso falaremos num momento mais adiante. Dentre as refer√™ncias online, a¬†Communication Arts¬†√© uma excelente pedida. Confesso que tenho um pouco de pregui√ßa daqueles sites que re√ļnem uma listagem de sites bonitos. Isso porque geralmente n√£o se v√™ muita cria√ß√£o, mas sim replica√ß√£o‚Ķ
  2. Colecione boas referências. Navegue bastante, leia bastante, assista bastante, preste atenção e tudo o que você vê nas ruas e fora delas. O tempo todo. Tudo pode ser uma boa referência. Mas a coisa não para por aqui. Você deve aprender a tratar as referências como referências. Policie-se para não sair por aí replicando as coisas que vê. Este é um grande desafio.
  3. Compreenda que desenvolver interfaces demanda conhecimento daquilo que voc√™ vai fazer, mas tamb√©m conhecimento do p√ļblico que vai usar aquilo que voc√™ vai fazer e ‚Äď obviamente ‚Äď das inclina√ß√Ķes estrat√©gicas da entidade para a qual voc√™ vai fazer aquela interface. Procure, ent√£o,¬†conhecer o usu√°rio, suas caracter√≠sticas, costumes e demandas, bem como aquilo que os concorrentes da entidade que lhe contratou para desenvolver aquela interface fazem e quais s√£o os objetivos desta entidade tanto no que se refere a esta interface em si quanto no que se refere as estrat√©gias mais abrangentes da entidade.
  4. Tenha em mente que¬†desenvolver interfaces √© uma etapa num processo maior, que acontece depois que ensaios visuais foram feitos e que pesquisas foram conduzidas e antes que as solu√ß√Ķes sejam efetivamente constru√≠das. Levem em considera√ß√£o, ent√£o, que voc√™ deve saber trabalhar em grupo, se envolver em etapas anteriores e envolver produtores e programadores que colocar√£o as m√£os na massa em etapas posteriores. E que fique bem claro que todos est√£o trabalhando para atingir um objetivo comum. Este tipo de envolvimento √© bacana pois reduz riscos de retrabalho, garante o alinhamento do projeto e minimiza as chances de algo dar errado. Se voc√™ √© um bom profissional e se v√™ em uma empresa que n√£o pratica estas boas pr√°ticas, tentar implement√°-las √© uma excelente demonstra√ß√£o de sua capacidade e potencial. Se voc√™ n√£o √© um bom profissional, nem perceber√° que √© uma falha quando isso n√£o acontece. E se voc√™ √© um profissional med√≠ocre, vai reclamar quando algu√©m da produ√ß√£o ou do planejamento der algum pitaco que macule a sua obra de arte. Pense nisso.
  5. Desenvolva suas capacidades no uso das ferramentas. Esta dica √© a √ļltima justamente pois penso que este dom√≠nio, embora seja uma maneira bem f√°cil e eficiente de as empresas filtrarem os bons profissionais, n√£o deve ser o seu objetivo final de desenvolvimento profissional. Guarde isso:¬†todo bom designer de interfaces domina as ferramentas. Mas nem todos os que dominam as ferramentas s√£o bons designers de interfaces. Uma coisa que recomendo a todos √© evitar cursos puramente voltados ao uso dos software. Normalmente estes cursos s√£o pouco produtivos. Costumo recomendar cursos aplicados a objetivos ou procedimentos espec√≠ficos e tamb√©m a utiliza√ß√£o for√ßada‚Ķ Algo que mistura a busca por refer√™ncias, o aprendizado online por meio de tutoriais e o desenvolvimento de capacidades a partir do exerc√≠cio for√ßado. pegar uma composi√ß√£o bacana e se propor a replicar aquele efeito que voc√™ achou legal √© um excelente exemplo disso. √Č o famoso ‚Äúaprenda fazendo‚Ä̂Ķ Costuma ser mais eficiente do que um curso para saber quais s√£o os atalhos da ferramenta.

√Č claro que esta √© uma lista bem curta. Se voc√™ procurar um bom designer de interfaces, como o¬†Herbert Rafael¬†ou o¬†Daniel Negreiros, eles te falar√£o muitas outras coisas bastante eficientes e mais espec√≠ficas. De qualquer forma, imagino que estas cinco dicas listadas acima podem te ajudar a sair de um estado de mediocridade profissional e coloc√°-lo no rumo de um futuro mais bacana.

Parte 03 ‚Äď Atendimento e GP

Então você se encaixa numa categoria que quase se gaba poor não ter que dominar código, saber fazer layouts e ainda assim quer trabalhar no crescente e promissor mercado de comunicação e tecnologia. Good for you! Lembre-se, no entanto, que, embora bastante comum em empresas de comunicação offline, um atendimento em empresas de tecnologia e comunicação não tem o direito de ser acéfalo…

Saiba que é muito fácil você acabar sendo demitido(a) ou nunca contratado(a) se achar que dá para permanecer sem saber como as coisas funcionam ou o que é possível fazer ou não em um projeto de comunicação e tecnologia. Claro que tem gente que vai achar que é muito mais fácil desempenhar este papel (o de atendimento) num mundo onde as tecnologias mudam com uma rapidez absurda e que os profissionais responsáveis pela execução dos projetos ralam como loucos. Entretanto, a verdade não é bem essa.

Um primeiro motivo para esta n√£o ser uma verdade √© que existem empresas que insistem em misturar o atendimento com o gestor de projetos (GP) e isso acaba por tornar a vida deste profissional um caos. Entendo que √© muito complicado manter uma estrutura grande em v√°rios casos, mas quando n√£o √© poss√≠vel ter dois profissionais distintos para estas fun√ß√Ķes, deve existir uma contra-partida salarial e de carga de clientes. Ent√£o, a primeira coisa a fazer √© saber dimensionar a capacidade de gerenciamento de contas que um profissional deve desempenhar na empresa. Esta quantidade n√£o deve ser muito grande pois isso facilmente gerar√° decep√ß√£o por parte dos clientes e isso nada √© bom para os neg√≥cios.   Outra coisa importante que empresas costumam negligenciar √© que este profissional ‚Äď por ser muito exigido e desempenhar papel importante nos projetos ‚Äď deve ser remunerado de forma adequada. Se a empresa quiser pagar pouco, ter√° sempre que se contentar com ac√©falos. A√≠, n√£o h√° do que reclamar. Cada um cava sua cova.

Tratadas as quest√Ķes estrutural e de condi√ß√Ķes de trabalho (que s√£o de responsabilidade das empresas), vamos ao que √© demandado deste profissional. Como j√° disse, muita gente acha que este √© o trabalho mais ‚Äúmamata‚ÄĚ da empresa, mas n√£o √© por a√≠. Este profissional deve ter um bom conhecimento de tudo o que √© poss√≠vel ser feito, de todas as tecnologias e possibilidades de atua√ß√£o existentes e ser um excelente comunicador e intermediador de rela√ß√Ķes. De nada vale um atendimento que funciona apenas como um leva-e-traz de demandas por parte do cliente e de respostas por parte da empresa. Este profissional deve ser capaz de ‚Äď quando no cliente ‚Äď saber responder o que a empresa d√° conta de fazer, ter boa no√ß√£o de prazos e capacidades e tamb√©m ser capaz de frear as viagens do cliente, passando a ele um panorama real de tudo o que ser√° feito. Do lado da empresa, ele deve ser capaz de representar o cliente ali, junto aos profissionais de planejamento e de produ√ß√£o. Ele deve conhecer o cliente muito bem para saber ‚Äď antes de apresentar alguma proposta ‚Äď se aquilo vai ser aprovado ou n√£o tem chances. Sua import√Ęncia √© vital pois √© ele quem representa a empresa junto ao cliente e tamb√©m representa o cliente dentro da empresa. Viu s√≥ como este profissional √© importante? Se for um ac√©falo, a empresa estar√° dando um tiro no pr√≥prio p√©!

Como se n√£o bastassem as atribui√ß√Ķes e caracter√≠sticas acima descritas, h√° empresas (e n√£o s√£o poucas) que ainda empilham nas costas destes profissionais a fun√ß√£o de gerenciar projetos. Como disse, n√£o acho que isso √© legal, mas‚Ķ N√£o sou eu quem regula o mercado. Assim sendo, vamos a algumas caracter√≠sticas imprescind√≠veis que um gestor de projetos deve ter. Al√©m de ter as boas no√ß√Ķes de prazos, capacidades, possibilidades e um bom conhecimento do or√ßamento e das diretrizes do projeto, este profissional deve ter uma excelente no√ß√£o de tempo para bem planejar as atividades que ser√£o desempenhadas. Ele deve ser o respons√°vel pela montagem de um cronograma v√°lido (Este papo de que ‚Äúnenhum cronograma √© respeitado‚ÄĚ √© coisa de gente ruim de servi√ßo. N√£o √© para me gabar, mas em meus cinco √ļltimos trabalhos, me vi encurralado com um cronograma desumano, mas respeitei todos os prazos que me foram impostos e entreguei tudo o que me pediram nas datas combinadas. E olha que n√£o eram trabalhos que dependiam apenas de mim‚Ķ)  e de cuidar para que este cronograma seja cumprido. Ele deve saber alocar recursos e profissionais dentro da empresa e cobrar o que for necess√°rio ser entregue pelo cliente.

Al√©m disso tudo, este profissional tem papel fundamental no planejamento da solu√ß√£o. Sem que tem empresa que ainda empilha mais esta fun√ß√£o ao profissional, mas a√≠ √© demais. Este tipo de coisas simplesmente n√£o funciona e quem faz isso, em minha opini√£o, tem mais √© que se dar mal mesmo. Empilhar tr√™s fun√ß√Ķes √© for√ßar demais a barra. O ideal √© que sejam tr√™s profissionais distintos (atendimento ‚Äď GP e Planejamento). Empilhar duas fun√ß√Ķes (Combine o empilhamento como quiser) ainda vai. Mas tr√™s, √© demais.

Donos de empresa e profissionais, lembrem-se de que a gan√Ęncia √© a ru√≠na do homem. Se voc√™ quer ganhar mais e contratar menos gente, isso ter√° consequ√™ncias. Se voc√™ quer ganhar mais e acumular fun√ß√Ķes, saiba que isso ter√° consequ√™ncias‚Ķ

Entretanto,  o profissional que gerencia os projetos deve ter um excelente tr√Ęmite tanto junto ao planejamento quanto com a dire√ß√£o de arte e a produ√ß√£o; sem mencionar o cliente.

Novamente pergunto, retoricamente: viu como este profissional n√£o pode ser um ac√©falo? Se voc√™ quer ser este profissional, saiba que ele ganha muito bem (ou pelo menos deve ganhar) e que o b√īnus n√£o vem desacompanhado de √īnus (normalmente √© o cara que mais se estressa durante um projeto, e √© o que menos pode demonstrar isso).

Para não ser um profissional medíocre, então, um resumo de qualidades a perseguir:

  1. N√£o seja um ignorante digital. Conhe√ßa tecnologias, possibilidades e capacidades. Entenda de conceitos novos e saiba que voc√™ sempre ser√° demandado por parte do cliente para explicar o que deve ser feito e os motivos de tal coisa ser feita de um jeito ou de outro. Voc√™ deve ser capaz de prometer entregar algo que a sua produ√ß√£o consiga fazer.  Saber falar a l√≠ngua do cliente e tamb√©m a da produ√ß√£o √© primordial. Os pr√©-requisitos n√£o s√£o poucos.
  2. Ter um excelente jogo de cintura. Você vai ter que lidar com prazos apertados vindos do cliente e muitas vezes empurrados para a produção. Você vai ter que agradar ambos. Boa capacidade de comunicação e ser uma pessoa que se relaciona facilmente com os outros são importantes para este profissional.
  3. Saber que voc√™ dever√° ter conhecimento mais do que b√°sico de planejamento, dire√ß√£o de arte, produ√ß√£o e ‚Äď claro ‚Äď gest√£o de projetos. Este conhecimento n√£o √© t√©cnico necessariamente, mas sim do que consistem estas atividades. Voc√™ sera muito cobrado e cobrar√° muito. √Č preciso ter conhecimento para isso.
  4. Lembre-se: voc√™ representa o cliente na empresa e a empresa no cliente. Aprenda a agir profissionalmente e de maneira completa. Conhe√ßa bem o cliente e tamb√©m a empresa.  Saiba gerenciar expectativas e cobran√ßas.
  5. Por √ļltimo, aprenda que √© importante ser uma pessoa organizada √© algo mais do que imprescind√≠vel para desempenhar estas fun√ß√Ķes. Se voc√™ perder o fio da meada, muita coisa ruim vai acontecer com seu projeto, seu cliente e, consequentemente, com seu emprego.

Bem, espero que estas dicas ajudem voc√™ profissional e tamb√©m voc√™ que tem uma empresa; afinal, n√£o √© s√≥ responsabilidade do empregado respons√°vel por estas fun√ß√Ķes fazer as coisas andarem.

Parte 04 ‚Äď Planejamento

Post rapidinho para dar sequ√™ncia aos apontamentos de solu√ß√Ķes para o apag√£o da m√£o-de-obra qualificada.

Um profissional de planejamento med√≠ocre que trabalha com comunica√ß√£o e tecnologia √© aquele que j√° tem o site / produto / a√ß√£o completamente planejado enquanto o atendimento lhe repassa o briefing. √Č aquele profissional que acha que um microsite (uma aberra√ß√£o tamb√©m chamada de hotsite) resolve qualquer problema de lan√ßamento de produto e acredita no mantra de que o importante √© ‚Äúgerar buzz‚ÄĚ (seja l√° o que isso queira dizer). Ou seja: um profissional de planejamento med√≠ocre √© aquele que trabalha com solu√ß√Ķes pr√©-fabricadas e n√£o entende (ou acha que n√£o precisa saber) as necessidades dos usu√°rios e de seu cliente. Suas propostas n√£o inovam e nem se modificam. E o mais grave: ele acha que sabe algo. E isso √© muito perigoso!

Para ser bem direto, se voc√™ se enxergou em alguma(s) das afirma√ß√Ķes sobre um profissional de planejamento med√≠ocre apresentadas acima, eis algumas dicas para voc√™:

  1. Seu trabalho n√£o acontece dentro de quatro paredes.  Saia da sua sala e v√° para a rua. Conhe√ßa o usu√°rio que vai se beneficiar daquilo que voc√™ est√° fazendo (ou planejando). Conhe√ßa as reais necessidades do cliente que te contratou. Converse com ele. Procure entender o que deve ser bom para estes dois ‚Äústakeholders‚ÄĚ em especial. Ganhar um pr√™mio de criatividade deve ser uma consequ√™ncia e n√£o um objetivo. Pense que seu objetivo √© fazer algo que seja apropriado para as necessidades do usu√°rio e que atinja os objetivos do cliente. Observe os concorrentes e aprenda a aproveitar o que h√° de melhor e evitar replicar o que h√° de ruim nestas iniciativas. Pesquise antes de come√ßar a apontar solu√ß√Ķes baseadas em sua ‚Äúexperi√™ncia‚ÄĚ. Aprenda a ensaiar e a testar antes de apresentar uma solu√ß√£o final.
  2. Seu trabalho n√£o √© centrado em voc√™.  Seu trabalho √© centrado no usu√°rio que vai se beneficiar daquilo que voc√™ est√° fazendo (planejando). N√£o ache que voc√™ conhece o usu√°rio sem ter ido a campo e realmente observado, conversado e aprendido. Muitas vezes vemos solu√ß√Ķes concebidas com base em pr√©-conceitos (no sentido restrito da express√£o) e que n√£o funcionam. Para evitar isso √© legal ter sempre em mente que o profissional de planejamento √© muito importante porque ele deve ser o profissional capaz de transformar esta massa bruta de informa√ß√Ķes em uma proposta de solu√ß√£o adequada, e n√£o porque ele j√° conhece como o usu√°rio pensa. Ali√°s, quando algu√©m falar isso, saiba que trata-se de principal cart√£o de visitas de um profissional de planejamento med√≠ocre.
  3. Seu trabalho n√£o consiste em reinventar a roda.  Isso n√£o quer dizer que todas as solu√ß√Ķes propostas por voc√™ devem ser iguais‚Ķ Entenda: Voc√™ n√£o tem que ser inventivo, voc√™ precisa ser atento e competente para planejar solu√ß√Ķes adequadas para os usu√°rios e ‚Äď obviamente ‚Äď que estejam dentro dos objetivos propostos pelo cliente que te contratou. Isso quer dizer que os trabalhos n√£o t√™m que ser totalmente in√©ditos, eles t√™m que ser adequados. Esta adequa√ß√£o pode implicar em adaptar algo que j√° funciona hoje sem ter que reescrever tudo a partir do zero‚Ķ Entendeu?
  4. Seu trabalho n√£o depende apenas de voc√™.  Voc√™ √© parte de uma equipe. Se voc√™ planejar algo que n√£o pode ser executado, seu trabalho n√£o valeu muito. Se voc√™ planejar algo que est√° em desacordo com as diretrizes passadas a voc√™, voc√™ n√£o fez um bom servi√ßo. Se voc√™ se fechar numa salinha e resolver tudo sem consultar o cliente, o atendimento, conversar com o designer de interface, o produtor e pesquisar com o usu√°rio, voc√™ n√£o ter√° feito um bom trabalho. Voc√™ n√£o √© obrigado a saber tudo. Por isso existe uma equipe. O profissional que acha que sabe tudo, n√£o √© um profissional, √© um idiota. Voc√™ tem que se lembrar que seu trabalho tem um objetivo ‚Äď apontado pelo cliente ‚Äď e uma prioridade ‚Äď atender as necessidades dos usu√°rios. Ningu√©m consegue atingir um objetivo e atender uma prioridade t√£o amplos como estes sozinho.
  5. Seu trabalho n√£o se resume ao que voc√™ tem que fazer.  Aprenda a perguntar. Profissionais de planejamento costumam se colocar numa posi√ß√£o de or√°culo, dando mais respostas do que fazendo perguntas. Isso n√£o deve existir. Voc√™ precisa conversar e tentar ir al√©m, tendo em mente o objetivo e a prioridade que foram apresentadas acima. Fazer al√©m √© extrapolar aquelas linhas da OS dentro destes par√Ęmetros. N√£o se trata de fazer o que n√£o foi pedido, afinal, voc√™ n√£o tem bola de cristal. Trata-se de resolver problemas de maneira eficiente pensando al√©m (pode ser em termos de prazo, de alcance ou de escopo). Outra coisa importante, dentro desta premissa √© entender que seu trabalho deve ser complementado com os expertises dos outros membros da equipe. O trabalho deve ser feito em conjunto, sempre!
  6. Seu trabalho demanda ficar atento e prestar aten√ß√£o em tudo a sua volta. Planejar a√ß√Ķes implica em saber caminhos que podem ser seguidos. Para saber qual caminho escolher, √© preciso conhecer os caminhos e entender os destinos para os quais estes caminhos levam. Isso quer dizer que voc√™ deve experimentar as coisas, saber como elas funcionam e entender o que h√° por tr√°s delas. Se voc√™ n√£o tiver este conhecimento, fatalmente suas propostas de solu√ß√Ķes ser√£o ainda mais limitadas.

Update: São capacidades imprescindíveis para um profissional de planejamento:

  • Saiba trabalhar com m√©todos e t√©cnicas de pesquisa
  • Saiba perguntar e retirar a ess√™ncia nas respostas recebidas
  • Saiba se explicar por meio de textos e visualmente
  • Saiba trabalhar em equipe
  • Saiba conversar com usu√°rios, cliente e equipe

Respondendo algumas perguntas sobre usabilidade

Post resgatado dos arquivos do blog. Publicado em 26 de julho de 2010.

Recebi um questionário enviado por graduandos em comunicação. Embora esteja um pouco amplo demais, sem uma indicação muito precisa do que quer ser descoberto, com problemas em algumas perguntas, e contendo outras que não me compete responder, resolvi compartilhar as minhas respostas por aqui. Quem sabe isso não ajuda mais pessoas a se informarem sobre o assunto, né?

Boa noite;

Sou Xxxxxx Xxxxxxxx, estudante de Jornalismo e integrante do grupo de TCC da Xxxxxxx, cujos objetos de estudo s√£o Jornalismo Multimidi√°tico e Jornalismo Institucional. Nossa pe√ßa pr√°tica ser√° o projeto piloto de um Portal de Comunica√ß√£o para a Xxxxxx. Ap√≥s pesquisas, chegamos ao seu nome para ajudar no corte te√≥rico atrav√©s de uma entrevista. Portanto, segue, em anexo, um pequeno question√°rio para que voc√™, por favor, responda e nos ajude. Pe√ßo que me envie as respostas at√© ter√ßa-feira (27/07), neste mesmo e-mail. Pe√ßo tamb√©m que informe o seu curr√≠culo. Estou no aguardo. Desde j√° agrade√ßo.

Como est√£o os estudos de usabilidade atualmente?

Acredito estarem se desenvolvendo de maneira bastante promissora. O campo está cada vez mais conhecido e mais pessoas estão colaborando, o que é bastante positivo. A Usabilidade tem ganhado mais atenção a cada novo projeto. Isso é bom para o projeto e, especialmente, os usuários.

O meio acadêmico tem mais influência ou quem dita mais as regras nessa área é o mercado e seu empirismo?

No que diz respeito a Usabilidade, mercado e academia s√£o bem pr√≥ximos. Grande parte dos pesquisadores em universidades t√™m um p√© no mercado e grande parte dos consultores em usabilidade t√™m um p√© na universidade. Esta liga√ß√£o √© uma indica√ß√£o ‚Äď inclusive ‚Äď de credibilidade do profissional. Dessa forma, a dicotomia entre universidades e mercado n√£o existe neste campo como em outros.

Como você vê os avanços na área?

Vejo com olhos bastante animados e esperan√ßosos. As recentes colabora√ß√Ķes vindas ‚Äď por exemplo ‚Äď da vertente do desenvolvimento √°gil s√£o bastante interessantes e prometem ajudar a popularizar o trato em usabilidade no desenvolvimento de produtos interativos.

Quais são as tendências no que tange a usabilidade hoje em dia? E o futuro, tem como prever um pouco?

Acredito que o desenvolvimento e aprimoramento / validação de técnicas e métodos de desenvolvimento ágil voltados para usabilidade ou que levem em consideração a usabilidade são especialmente promissores. Além disso, há um crescimento que deve ser olhado de forma muito positiva das abordagens que levam em conta acessibilidade e usabilidade.

Quais são os sites ou portais que você considera referência em usabilidade? Por quê?

Google é um exemplo que devemos sempre ter em mente neste aspecto. Sua mentalidade de desenvolvimento voltado para o usuário é bastante interessante. Obviamente eles erram, como todos os outros, mas estão sempre atentos e iterando a partir do feedback dos usuários. Seus produtos são desenvolvidos tendo isso em mente, o que faz deles muito eficientes.

Além de Google, enxergo a Globo. com como uma empreitada que trabalha de forma bastante interessante e efetiva o trato em experiência do usuário.

Onde entra a experiência do usuário nessa área? E os testes de usabilidade?

Entram onde os métodos e técnicas que estão sendo adotados indicam. Normalmente acontece em todo o desenvolvimento e produção de um projeto. Desde a pesquisa para a descoberta de usuários, validação de ideias, verificação da eficiência de propostas a partir de protótipos, testes com produtos em desenvolvimento e avaliação de produtos prontos.

Al√©m da usabilidade, quais os outros conceitos que, se colocados em pr√°tica, ajudam o usu√°rio a chegar o mais pr√≥ximo o poss√≠vel da ‚Äúexperi√™ncia perfeita‚ÄĚ na web?

Na verdade a usabilidade envolve v√°rios conceitos e √© dif√≠cil enxerg√°-la como algo √ļnico. Est√£o contidos dentro desta grande ideia, trato em acessibilidade, procedimentos de arquitetura de informa√ß√£o, prototipa√ß√£o, valida√ß√£o, e por a√≠ vai. Assim sendo, a lista de vari√°veis e conceitos √© bem ampla. De qualquer forma, acredito que os membros de todas as equipes de desenvolvimento e produ√ß√£o precisam ficar bastante atentos com as demandas dos usu√°rios e tamb√©m com a valida√ß√£o de suas propostas, verificando, inclusive, a adequa√ß√£o destas junto aos usu√°rios. Seguindo isso, √© poss√≠vel proporcionar excelentes experi√™ncias de uso.

O que você acha que um portal multimidiático de uma faculdade de comunicação precisa ter?

Precisa atender as necessidades dos usuários e contemplar os objetivos da instituição. Assim sendo, este tipo de descoberta deve ser feita pesquisando-se junto aos usuários do portal e, obviamente, consultando e entendendo os objetivos da instituição.

O apag√£o da m√£o-de-obra qualificada

Este é o primeiro de dois posts muito especiais resgatados dos arquivos do blog. Eles tratam do apagão de mão-de-obra qualificada no Brasil. Em especial no setor de comunicação e tecnologia. São 05 textos que consolidei em dois posts. Originalmente foram publicados em julho de 2010.

Na semana passada estava conversando com o Fred e um dos assuntos foi: estamos vivendo um apagão de mão-de-obra qualificada.

Sem sombra de d√ļvidas, estamos sim vivendo este apag√£o. Um dos indicativos mais latentes desta falta de m√£o-de-obra √© este pr√≥prio blog. Se n√£o fosse pelo apag√£o, ele estaria √†s moscas, mas ultimamente tem virado um balc√£o de vagas disponibilizadas pelos colegas do mercado que sabem que eu tenho um p√ļblico primordialmente formado por profissionais da √°rea e futuros profissionais (meus alunos). Sei que tem gente que n√£o gosta que o blog seja substitu√≠do por um balc√£o de vagas, mas √© meio que incontrol√°vel.

Como a coisa j√° se instalou, vamos √†s perguntas e a√ß√Ķes pr√°ticas:

Onde se manifesta o apag√£o?O apag√£o √© claro na √°rea de tecnologia. Desenvolvedores de interface, gestores de projeto, designers de experi√™ncia e de intera√ß√£o, programadores, profissionais de planejamento e marketing eletr√īnico s√£o os que mais est√£o fazendo falta por a√≠‚Ķ

Muito embora seja fácil notar que há vários cursos de graduação e pós nessas áreas (ou que contemplem estas áreas) o pessoal se divide em três grupos básicos:

  1. os bons de servi√ßo que j√° est√£o empregados ou trabalham como freelancers e que d√£o o pre√ßo de seus servi√ßos (ou seja: escolhem sal√°rios) ‚Äď Esta galera representa algo entre 01 e 05% do total.
  2. profissionais ou estudantes medianos, que d√£o conta do recado e, por isso mesmo, vivem pulando de emprego em emprego (se paga R$ 10,00 a mais no sal√°rio, o povo t√° indo) ‚Äď Este montante representa algo entre 45 e 50% do total da m√£o de obra ofertada.
  3. profissionais ou estudantes medíocres. Este grupo dispensa apresentação e representa os 50% restantes da mão de obra ofertada.

Qual é o tamanho do apagão?Pelas contas feitas a partir dos grupos acima listados, dá para perceber facilmente que o mercado está trabalhando com uma capacidade ociosa alta. Praticamente todo mundo está precisando de gente de qualidade para trabalhar e não está encontrando.

Deve ficar bem claro que a quest√£o n√£o √© falta de gente. Gente tem de sobra. O problema √© que n√£o tem gente capaz. Ou seja: embora tenha muita gente desempregada, isso n√£o indica que o mercado est√° saturado. Mas de jeito nenhum! O que acontece √© que tem muita gente ruim de servi√ßo e pouca gente realmente qualificada!  Por mais que isso possa te deixar com raiva de mim, lembre-se que n√£o sou eu quem est√° falando, √© o empregador‚Ķ √Č o dono de ag√™ncia, de produtora e de f√°brica de software‚Ķ Esse pessoal est√° arrancando os cabelos pois tem demanda de trabalho mas n√£o consegue achar gente boa o suficiente para trabalhar.

Sou um empregador, o quê devo fazer?Em primeiro lugar, tentar se virar com o contingente de mão-de-obra que tem. Num segundo momento, vejo algumas atitudes que não podem ser ignoradas:

  1. Seja realista e evite buscar aquele funcionário canivete-suíço. Este cara não existe e, se existisse, não estaria disposto a receber o que você quer pagar.
  2. Aumente sua proposta de salário. Isso ajudará a fazer os bons profissionais considerarem ficar mais tempo com você.
  3. Crie um ambiente bacana para o funcion√°rio se sentir estimulado a trabalhar em sua empresa.
  4. Seja honesto com seus clientes com relação a esta questão de mão-de-obra e ajuste seus contratos. Talvez você esteja cobrando pouco demais e isso causa um efeito cascata em sua estrutura.
  5. Procure treinar profissionais que j√° trabalham com voc√™ e tamb√©m os novos funcion√°rios. Custa caro e √© arriscado, mas se voc√™ oferece um bom sal√°rio, um bom ambiente de trabalho e boas condi√ß√Ķes, os riscos s√£o minimizados. Investir em treinamento pode ser uma boa sa√≠da para o apag√£o, mas n√£o funciona isoladamente.

Sou um profissional (ou quase). O qu√™ devo fazer para tirar proveito do apag√£o?Antes de mais nada, seja honesto consigo mesmo e verifique em qual das tr√™s categorias de profissionais / estudantes voc√™ se encaixa. Se voc√™ se encaixa no grupo 1, relaxe e aproveite. Se se enquadra no grupo 2, procure uma empresa para ficar mais tempo trabalhando e lembre-se que se voc√™ ficar pulando de galho em galho, n√£o crescrer√° em lugar algum. Tente ‚Äúaquetar o faixo‚ÄĚ um pouco para crescer numa empresa que seja bacana para voc√™. O mercado de trabalho n√£o √© uma boite‚Ķ Encare um emprego como um relacionamento que voc√™ tem que trabalhar em conjunto com seu empregador para que seja duradouro.

Se você se encaixa no terceiro grupo de profissionais / estudantes, há muito para fazer:

  1. Passe a levar as coisas mais a s√©rio. O mercado de trabalho n√£o √© como a escola, onde se voc√™ fizer o m√≠nimo necess√°rio, se d√° bem. Aqui ningu√©m quer saber se o seu colega de grupo ‚Äúbarrigou‚ÄĚ o projeto inteiro e sua responsabilidade pelo fracasso deve ser minimizada em fun√ß√£o disso. O pessoal quer resultados. Ent√£o acorde para a realidade!
  2. Capacite-se. A culpa não é da sua escola. Falo isso pois sei que escola nenhuma te capacitará por completo. Assim sendo, mexa-se e corra atrás! Pode fazer cursos o quanto quiser, mas se você não se comprometer de verdade, nunca sairá do lugar. Esta capacitação inicial é primordial para você se dar bem depois. Pense nisso.
  3. Depois da capacita√ß√£o b√°sica, v√° al√©m! Especialize-se em algo. Escolha uma coisa e corra atr√°s dela. Aprenda a avaliar as oportunidades que aparecem e veja de que tipo de profissional o mercado est√° precisando. Busque ser este profissional. Pode ser com cursos, pode ser de maneira aut√īnoma. Em rar√≠ssimas situa√ß√Ķes uma certifica√ß√£o oficial lhe ser√° exigida. Ent√£o, n√£o √© ‚Äúfazendo um curso‚ÄĚ que voc√™ vai se capacitar. Muito menos abandonando a escola de vez. O segredo √© realmente cursar algo ou comprometer-se com algo (caso n√£o exista algum curso ou algo semelhante).
  4. Estude um segundo idioma. A totalidade dos medíocres ignora o inglês ou chega até a se orgulhar de não saber inglês. Pois tenha noção que sem inglês você perde muito. Perde em material de treinamento que é disponibilizado online gratuitamente em inglês, perde em leitura de livros bacanas e material técnico que não é traduzido, perde em oportunidades de trabalho pois o mundo inteiro anda precisando de gente bacana.
  5. Pratique, pratique e pratique! Mesmo que voc√™ esteja desempregado ou nunca trabalhou, pratique e monte um portf√≥lio de projetos e de tudo o mais que voc√™ sabe fazer. √Č errando que se aprende.
  6. Mostre-se! Crie uma presença online bacana o suficiente para que os empregadores saibam que você existe!
  7. Seja humilde. Entenda que dificilmente somos os melhores do mundo em alguma coisa. Assim sendo, aprenda a reconhecer a limitação de suas capacidades e seja honesto sobre elas.
  8. Reconheça seus erros e amadureça. Se alguém da empresa disser que algo que você fez não ficou legal, não leve para o lado pessoal. Reconheça, corrija e aprenda com seu erro. Fechar os olhos para isso é uma sentença de morte profissional.
  9. Saiba que você deve começar por baixo. Provavelmente o pessoal ainda não te conhece. Então, fica difícil você exigir o melhor cargo e o mais alto salário. Aprenda a trabalhar com o que lhe é oferecido e aproveite cada oportunidade para crescer.
  10. Tenha paciência e saiba a hora de pedir aumento ou aumentar o seu preço. Isso demora, mas não é inalcançável. Você vai ter que trabalhar por pouco dinheiro por muito tempo, mas isso vai compensar.

Conclus√£oTem muita vaga sobrando. Tem muita gente med√≠ocre sobrando. Enquanto voc√™ n√£o fizer nada a respeito, a coisa vai continuar assim. Uma coisa que aprendi logo no come√ßo da minha gradua√ß√£o ‚Äď h√° quase quinze anos ‚Äď foi que n√£o existe falta de trabalho para quem √© bom de servi√ßo. At√© o momento, n√£o vi nenhum exemplo para suspeitar que isso n√£o seja uma grande verdade. Outra verdade √© a de que quem √© realmente bom de servi√ßo faz o seu sal√°rio. Novamente, nunca me deparei com nenhuma ocorr√™ncia que contrariasse isso. Ou seja: o apag√£o existe e √© um buraco cheio de oportunidades para quem quer se dar bem. V√£o se dar bem o profissional que souber aproveitar as oportunidades e os empregadores que os empregarem.

Recursos interessantes em webdesign: wireframes

Wireframes s√£o ferramentas imprescind√≠veis para quem se envolve com projetos web. De uma maneira simples e direta, eles ajudam a explicar para o seu cliente (ainda na proposta / projeto de site) como as p√°ginas ser√£o ‚Äď antes mesmo delas serem. Al√©m disso, √© um documento muito importante para que a equipe de produ√ß√£o consiga tocar o projeto antes que sejam feitos os layouts.

Para ter uma id√©ia mais visual do que s√£o os wireframes, voc√™ pode ver uma s√©rie de exemplos deles fazendo uma busca por imagens de wireframes no google, por exemplo. Selecionei alguns exemplos bacanas ‚Äď com diferentes n√≠veis de detalhamento ‚Äď aqui, aqui, aqui e aqui.

Bem, agora que voc√™ j√° sabe ‚Äď pelo menos por alto ‚Äď o que s√£o e como s√£o os wireframes, fica f√°cil raciocinar, ent√£o, que eles dar√£o a orienta√ß√£o necess√°ria para o desenvolvimento de seus layouts.

Criar wireframes √© simples. Voc√™ pode faz√™-los online (algumas ferramentas interessantes s√£o o Gliffy e o Creately), em software espec√≠fico (tem gente que adora o Axure, mas ele √© caro que d√° at√© d√≥!) ou em seu editor de imagens predileto (Photoshop √© uma boa pedida, mas n√£o menos cara). H√° os mais radicais ‚Äď como eu ‚Äď que usam apenas papel e l√°pis para fazer wireframes. √Č √≥bvio que depois de desenhar numa folha de papel eu ‚Äúpasso a limpo‚ÄĚ meus wireframes num editor de imagens. Para isso, eu uso o Gimp.

A orienta√ß√£o inicial para construir wireframes deve ser a mesma usada para a constru√ß√£o de um layout. Assim sendo, √© uma boa se inteirar sobre grids e sua import√Ęncia. Uma excelente ferramenta para se entender grids √© essa apresenta√ß√£o do Mark Boulton e Khoi Vinh. Para colocar os grids para trabalhar a seu favor, uma refer√™ncia imperd√≠vel √© o 960 Grid System. L√° voc√™ encontra tudo o que precisar√° para conceber wireframes e layouts dentro (ou a partir) de um grid.

N√£o se esque√ßa que os modelos de p√°ginas que voc√™ vai conceber devem atender √†s necessidades dos seus usu√°rios e ‚Äď ao mesmo tempo ‚Äď buscar resolver as quest√Ķes direcionadoras (objetivos) de seu site. Se voc√™ n√£o prestar aten√ß√£o nisso, o fracasso ser√° certo.